Ciência e Saúde

Depressão pode acelerar envelhecimento de células, diz estudo

Pessoas que sofrem de depressão têm maior risco de desenvolver doenças ligadas ao envelhecimento.

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Do Mundo-Nipo

Um estudo, publicado pela revista especializada “Molecular Psychiatry”, sugere que a depressão pode acelerar o processo de envelhecimento das células, informou a BBC nesta terça-feira (12).

 

Depressão (Imagem: Reprodução)

Pessoas que sofrem de depressão têm maior risco de desenvolver doenças ligadas ao envelhecimento (Imagem: Reprodução)

 

De acordo com a publicação, exames de laboratório mostram que as células parecem ser biologicamente mais velhas em pessoas que sofreram ou sofrem de depressão grave.

Os pesquisadores detectaram essas diferenças em uma estrutura das células chamada telômero. O comprimento delas é usado para medir o envelhecimento celular.

Os especialistas já sabiam que pessoas que sofrem de depressão têm um maior risco de desenvolver doenças ligadas ao envelhecimento, como alguns tipos de câncer, diabetes tipo 2, obesidade e doenças cardíacas.

Isso pode ser consequência, em parte, de um estilo de vida pouco saudável, que incluiria também o consumo de bebidas alcoólicas e o sedentarismo.

Josine Verhoeven, do Centro Médico da Universidade VU, na Holanda, junto com colegas americanos, recrutou 2.407 pessoas para participarem do estudo.

Mais de um terço dos voluntários sofria de depressão; um terço tinha passado por um caso grave de depressão; e o restante nunca havia tido a doença.

Os participantes cederam uma amostra de sangue para análise, em busca de alterações nos telômeros e, portanto, sinais de envelhecimento celular. Os telômeros protegem os cromossomos (que contêm o DNA) de possíveis danos. À medida que as células se dividem, eles vão ficando cada vez mais curtos.

Os voluntários que estavam com depressão ou já tinham sofrido com a doença no passado tinham telômeros bem mais curtos do que aqueles que nunca haviam passado por isso. Essa diferença era aparente mesmo quando levadas em conta diferenças no estilo de vida, como o fato de alguns indivíduos fumarem ou beberem muito.

Além disso, os pesquisadores descobriram que os pacientes com casos de depressão bem mais graves ou crônicos tinham os telômeros mais curtos entre todos os voluntários.

Verhoeven e os outros cientistas especulam que os telômeros mais curtos podem ser uma consequência da reação do corpo à angústia causada pela depressão.

“Esse estudo em larga escala fornece provas convincentes de que a depressão está associada a muitos anos de envelhecimento biológico, especialmente entre aquelas pessoas que sofrem com os sintomas mais graves e crônicos”, dizem os autores no estudo.

Ainda não está claro, porém, se esse processo de envelhecimento pode ou não ser revertido.

 


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