Ciência e Saúde

Pela primeira vez, Japão atinge 3 mil casos diários de Covid-19

Equipe médica em um hospital de Tóquio | Foto: Kosaku Mimura
Hospital em Tóquio | ©Kosaku Mimura

Os sistemas de saúde do Japão estão sobrecarregados em áreas atingidas pela pandemia. Há ainda escassez de equipe médica.

O Japão superou pela primeira vez a marca de 3 mil casos diários de Covid-19, à medida que o país luta para lidar com o aumento das infecções no inverno, com Tóquio e várias outras prefeituras reportando registros recordes em um único dia.

Dados oficiais divulgados neste sábado (12), e noticiados pela Kyodo News, mostram que 3.041 pessoas foram infectadas com o novo coronavírus em todo o país somente nas últimas 24 horas. O número supera o recorde anterior de 2.972 casos registrado na última quinta-feira (10).

Tóquio registrou 621 casos de novas infecções no sábado, superando o recorde anterior de 602 apurado na quinta-feira, enquanto Saitama, na fronteira com Tóquio, Kyoto, Nagano, Gifu e Iwate, estava entre as prefeituras que registraram recorde histórico de casos diários.

Na maioria das áreas de Tóquio, restaurantes, bares e estabelecimentos de karaokê, que servem bebidas alcoólicas, foram solicitados a encurtar o horário comercial e fechar às 22h, embora não esteja entre as cidades excluídas do programa de promoção de viagens do governo central, nomeado “Go To Travel”, para apoiar a indústria do turismo, cujos ganhos foi duramente afetada pela primeira onda do Covid-19.

O recente aumento de casos de coronavírus, no que os especialistas da área da saúde chamam de “terceira onda para o Japão”, disparou o alarme sobre os sistemas de saúde cada vez mais sobrecarregados em áreas duramente atingidas pela pandemia.

As Forças de Autodefesa do país despacharam enfermeiros para uma cidade em Hokkaido, no extremo norte do Japão, que enfrenta forte escassez de equipe médica para tratar pacientes com Covid-19.

Iwate, província no nordeste do país e que não tinha casos confirmados de coronavírus entre seus residentes até o final de julho, relatou 43 casos no sábado, de acordo com o governo da prefeitura.

Governo evita suspender programa de turismo

O primeiro-ministro japonês, Yoshihide Suga, pediu à população para “levantar a guarda contra o vírus”, mas seu governo não está considerando suspender o programa de viagens ou emitir outro estado de emergência.

A capital japonesa começou a ver o número de casos aumentar acentuadamente em meados de novembro. Agora, Tóquio figura no topo do infeliz ranking das mais atingida entre as 47 prefeituras do país, somando mais de 46.000 casos confirmados até o momento.

Na sexta-feira, um painel de especialistas da área da saúde pediu ao governo central para suspender o programa de subsídios que visa estimular viagens domésticas em áreas onde os sistemas médicos estão sob pressão. Mas Suga tem relutado em reverter o programa enquanto busca equilibrar o apoio à economia e o combate à pandemia.

Yukio Edano, presidente do principal partido da oposição, o Partido Democrático Constitucional do Japão, disse a repórteres em Tóquio que o programa de subsídios “Go To Travel” “precisa ser suspenso o mais rápido possível”, uma vez que ele impulsiona as pessoas a se deslocarem, promovendo aglomerações, o que só prejudica o combate à pandemia.

Aumento de pessoas nas ruas

A operadora de comunicações móveis NTT Docomo disse que seus dados de assinantes mostraram aumento no número de pessoas em circulação no sábado em todo o Japão.

Multidão ignora a pandemia do Covid-19 e lota área turística no Bairro Asakusa, em Tóquio | Foto: Koji Sasahara/AP

De acordo com o relatório da maior operadora de telefonia móvel no país, o número de pessoas que se deslocavam pelas principais estações de trem e distritos de entretenimento do Japão, aumentou 70% em relação à semana anterior.

Terceira onda

O Japão está no meio da terceira onda de propagação da pandemia do novo coronavírus. Como resultado da primeira onda, o país entrou em estado de alerta sanitário em 7 de abril, com o seu término em 25 de maio.

O estado de emergência permitia a proibição de grandes eventos públicos e o fechamento de estabelecimentos não essenciais, entre outras medidas, mas sem confinar a população.

Para esta terceira onda, o governo de Suga pediu à população um prazo de três semanas, a partir de 25 de novembro, para analisar a evolução da pandemia no país e a conveniência de aprovar, ou não, novas restrições sociais.

Mundo-Nipo (MN)
Fontes: Kyodo News | NHK News.