Ciência e Saúde

Coronavírus: Japão pede aos seus cidadãos para não viajar à China

Foto: AP/Mark Schiefelbein

Japão já retirou centenas de seus cidadãos em Wuhan. Mas críticos afirmam que a resposta de Abe ao vírus foi lenta em relação a de outros países.

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O governo do Japão aconselhou seus cidadãos para que evitem “viagens desnecessárias” à China, um apelo que ocorre depois de a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar o novo surto de coronavírus como uma Emergência de Saúde Pública de Interesse Internacional (PHEIC).

O primeiro-ministro Shinzo Abe informou que o país elevou o alerta de viagem para a China ao nível dois, em seu sistema de alerta que vai até quatro pontos, pedindo às pessoas que “evitem viagens que não sejam urgentes ou desnecessárias”, disse o líder japonês.

Críticas

O governo de Abe está enfrentando críticas de que sua resposta inicial ao surto do novo coronavírus foi muito demorada e branda, já que outros países adotaram medidas mais fortes para impedir a propagação dentro de suas fronteiras.

Em resposta, o líder japonês  Abe disse que seu governo está fazendo o que pode, mas tem sido limitado por restrições legais e considerações sobre direitos humanos.

Até agora, o Japão evacuou 565 de seus cidadãos em vôos fretados para fora de Wuhan, cidade chinesa que é o centro do surto.

Todos foram convidados a fazer testes voluntários para o coronavírus e permanecer em acomodações fornecidas pelo governo por até duas semanas, independentemente de terem sintomas.

Inicialmente, duas pessoas que vieram nestes aviões fretados pelo governo japonês  se recusaram a fazer o teste, algo que Abe disse ser “extremamente lamentável”, mas não pode ser legalmente aplicado.

“Também é uma questão de direitos humanos e há muito que podemos fazer”, disse Abe em discurso no parlamento na quinta-feira.

Os dois, no entanto, mais tarde concordaram em fazer os exames.

Surto global

O coronavírus continuou a se espalhar, matando pelo menos 213 pessoas e infectando mais de 9.800 na China, de acordo com número reportados na noite de sexta-feira pelas autoridades de saúde.

No Japão, até o momento, houve 17 infecções confirmadas. Na sexta-feira, o governo decidiu adotar novas medidas para conter o surto, anunciando que proibirá os portadores de passaportes chineses emitidos na província de Hubei, da qual Wuhan é a capital, de entrar no Japão, bem como avançar com uma lei que lhe permita vigorosamente hospitalizar pessoas com sintomas.

Kazunori Yamanoi, deputado da oposição, perguntou em um comitê da câmara baixa: “Por que demorou tanto tempo? [a reação do governo ao surto].

Usuários de mídia social levantaram preocupações semelhantes, e até alguns parlamentares do Partido Liberal Democrático de Abe questionaram se o governo está fazendo o suficiente, apontando para medidas mais drásticas tomadas por outros países.

Resposta de outros países

A Austrália planeja colocar em quarentena centenas de evacuados de Wuhan por duas semanas na Ilha Christmas, a cerca de 1.500 quilômetros da costa noroeste do continente. O plano tem sua própria controvérsia, pois a ilha é conhecida por ser usada para manter refugiados.

Os Estados Unidos elevaram seu aviso de viagem para o nível 4 desde a semana passada, pedindo aos cidadãos que não viajem à China. Além disso, país levaram cerca de 200 evacuados de Wuhan para uma base militar da Califórnia para serem avaliados, embora não sejam tecnicamente obrigados a permanecer no local.

A Coreia do Sul exige que os quase 370 cidadãos transportados de Wuhan sejam colocados em quarentena em instalações a mais de 50 km de Seul.

Reações exageradas

Enquanto isso, especialistas alertam que a reação exagerada ao surto pode levar a um caminho sombrio.

“É natural ter medo de coisas que você não pode ver”, disse Mitsuo Kaku, professor de controle e prevenção de infecções da Universidade Médica e Farmacêutica de Tohoku, no nordeste do Japão.

“A história de doenças infecciosas é uma história de discriminação”, disse ele, apontando o estigma associado à hanseníase, apesar de seu risco relativamente baixo de se espalhar.

Mundo-Nipo.com (MN)
Fontes: Republic | Kyodo News.

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