Economia

Japão, EUA e mais 10 países fazem acordo comercial histórico

As negociações entre os 12 países poderá formar o maior bloco comercial do planeta e afetar 40% da economia global.

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Do Mundo-Nipo com Agências

Ministros do Comércio dos Estados Unidos, Japão e de mais dez nações acertaram o mais profundo acordo de liberalização do comércio em uma geração, que pode resultar no maior bloco econômico da história. O pacto, que deve ser anunciado ainda hoje, irá cortar barreiras comerciais e definir padrões comuns entre Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Cingapura, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru e Vietnã, além de Japão e Estados Unidos.

Segundo a agência de notícias Reuters, o objetivo é eliminar tarifas entre esses países para a comercialização de determinados bens e serviços, o que pode influenciar desde o preço do queijo ao custo de tratamentos de câncer.

Os itens do acordo comercial podem beneficiar o Japão. Segundo a agência de notícias Kyodo, a tarifa de 38,5% na importação de carne bovina dos Estados Unidos, por exemplo, cairia para 9% nos próximos 15 anos, reduzindo assim o preço do produto no Japão.

O Tratado de Livre Comércio Trans-Pacífico (TPP, na sigla em inglês) pode afetar 40% da economia global e pode se estabelecer como uma conquista e legado para o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, caso seja ratificado pelo Congresso norte-americano. Parlamentares dos outros países da TPP também têm que aprovar o acordo.

Obama chegou a fazer campanha defendendo a TPP. Em um comunicado divulgado nesta segunda, o presidente afirmou que os norte-americanos terão meses para ler o acordo antes que ele se torne lei.

O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, o brasileiro Roberto Azevedo, parabenizou os negociadores e ministros dos países envolvidos no acordo. Ele disse que alcançar o pacto dentre “uma variedade de questões difíceis prova que os acordos comerciais podem ser alcançados entre os membros da entidade”.

Segundo Azevedo, o TPP vai fazer com que os membros da OMC acelerem o trabalho para que os acordos em negociação sejam alcançados até a 10ª Conferência Ministerial em Nairobi, marcada para acontecer entre 15 e 18 de dezembro.

O bloco desses doze países reúne 40% do PIB mundial e tem 793 milhões de consumidores. A expectativa é que, se o acordo realmente sair, o pacto movimente, a partir de 2025, US$ 223 bilhões por ano.

Para os Estados Unidos e Japão, esta não é apenas uma oportunidade apenas de ampliar o comércio, mas também uma maneira de reduzir a influência da China na Ásia.

A rodada final de negociações em Atlanta (EUA), que começou na quarta-feira (30), tem se debruçado sobre a definição do período de monopólio de novos medicamentos de biotecnologia, até que os Estados Unidos e a Austrália negociem um acordo.

A TPP tem sido controversa porque as negociações secretas que ocorreram nos últimos cinco anos foram percebidas como uma ameaça para uma série de grupos de interesse, das montadoras mexicanas aos fazendeiros canadenses.

Setores democratas importantes, do partido do presidente Barack Obama, não queriam o acordo. Mas em abril, em um momento raro no Congresso norte-americano, o Partido Democrata e a oposição republicana sinalizaram que dariam carta branca para Obama concluir as negociações do que poderá ser o maior bloco comercial do planeta.

Fontes: Agência Reuters | Agência Kyodo.

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