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Rebeca Andrade conquista ouro e prata no Mundial do Japão

©Getty Images

A campeã olímpica demonstrou a mesma calma exibida em Tóquio, que se transformou em velocidade, acrobacias e aterrissagens precisas.

A ginasta brasileira Rebeca Andrade conquistou duas medalhas no Mundial de Ginástica Artística do Japão, uma de ouro e uma de prata, neste sábado (23), três meses depois de realizar o mesmo feito nas Olimpíadas de Tóquio.

Na competição, a campeã olímpica demonstrou a mesma calma exibida em Tóquio, que se transformou em velocidade, acrobacias e aterrissagem precisa. Era como se estivesse voltando três meses no tempo.

“Eu venho de uma Olimpíada em que as pessoas têm muita expectativa, mas eu precisava controlar o que eu estava sentindo para fazer uma grande apresentação. Então, eu fiquei bem feliz que consegui fazer o meu melhor e que deu certo”, diz Rebeca.

A medalha de ouro, primeira de Rebeca em mundiais, veio no salto, como nas Olimpíadas. Rebeca foi a segunda de oito finalistas a se apresentar. Cada concorrente que chegava se levantava e deixava a líder ali, uma vez que uma após outra não conseguia alcançá-la nas pontuações. Ao término da apresentação da última corrente, a vitória foi confirmada e Rebeca abraçou o técnico Chico Porath para fazer a festa novamente.

Rebeca marcou 15,133 pontos em seu primeiro salto e 14,800 em seu segundo esforço, uma torção dupla de Yurchenko, com uma média de 14,966.

Asia D’Amato, da Itália, ficou com a prata com 14,083 pontos, enquanto a campeã geral Angelina Melnikova, da Rússia, ficou em terceiro com 13,966.

O título de salto de Rebeca é apenas o segundo ouro de uma brasileira e o primeiro desde que Daiane dos Santos conquistou a disputa no mundial de 2003. E assim Rebeca segue fazendo história. Uma história que, em campeonatos mundiais, parece que está apenas começando.

Rebeca comemora a medalha de ouro que conquistou no Mundial de Ginastica Artística do Japão | Foto: Getty Images

Tinha sido em 2003, há 18 anos, o último ouro feminino do Brasil em um mundial, com Daiane dos Santos. Mas num mesmo dia, em uma mesma edição, duas medalhas são exclusividade de Rebeca. Nunca tinha acontecido na ginástica brasileira, e aconteceu logo no aparelho em que ela mais queria: barras paralelas assimétricas, nome comprido para um sonho que já vem de muito tempo.

“O tanto que eu treino. Todos os dias estar no ginásio. Estar cansada, estar feliz, estar triste, cheia de problemas. Mas você está lá, sempre dando o seu máximo”, diz Rebeca.

Nas barras paralelas assimétricas, Rebeca somou 14.633 pontos, ficando atrás apenas  da chinesa Wangyuan Wei, que marcou 14,733 pontos, enquanto sua compatriota Luo Rui fez a mesma pontuação de Rebeca, mas perdeu no desempate e terminou em terceiro.

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E, repetindo os Jogos Olímpicos, ganhou um ouro e uma prata, sendo que, nas olimpíadas, Rebeca levou a prata no individual geral, que é considerada a mais nobre da ginástica artística, pois revela a ginasta mais completa, aquela que consegue uma boa média em todos os aparelhos.

Neste mundial, Rebeca optou por não competir no individual geral, alegando preocupações com lesões. A jovem de 22 anos sofreu rupturas do ACL entre 2015 e 2019.

“Sinto-me muito feliz e grata com a minha rotina. Dei os meus 110%, não consigo descrever o que sinto, estou muito orgulhosa”, disse Rebeca.

“Muitas pessoas não acreditaram em mim quando me machuquei. Hoje, estou aqui para mostrar ao mundo que tudo é possível se você perseguir o que realmente deseja”, continuou ela. “Você pode fazer isso se tiver pessoas que acreditem em você. Tive todo o apoio, físico e emocional, para poder voltar, isso foi muito importante”, concluiu.

== Mundo-Nipo (MN)
Fontes: Jornal Nacional | CBC | Olympics.

Atualizado em 28/10/2021.