Segundo robô entra no reator da usina nuclear de Fukushima

A ação acontece 5 dias após um robô similar ter ficado preso no local.

Do Mundo-Nipo com Agências

A Companhia de Energia Elétrica de Tóquio (Tepco, na sigla em inglês), operadora da central nuclear de Fukushima, informou nesta quarta-feira (15) que enviou um segundo robô controlado remotamente para explorar o interior do reator 1. A ação acontece 5 dias após um dispositivo similar ter ficado preso no local.

O novo robô possui as mesmas tecnologias do primeiro. Ele é equipado com câmeras, um dosímetro e um termômetro para percorrer parte da superfície do tanque de contenção da unidade 1. O dispositivo também está programado para recolher dados sobre a temperatura e níveis radiação da área, bem como registrar imagens da estrutura, explicou a Tepco em comunicado.

Na última sexta-feira (10), a Tepco enviou seu primeiro robô ao interior do reator, o que permitiu que os técnicos vissem a estrutura pela primeira vez desde que o tsunami gerado pelo terremoto em março de 2011 atingiu o complexo nuclear Fukushima Daiichi, danificando vários reatores, o que gerou a pior crise nuclear desde Chernobyl.

Desde o acidente, os elevados níveis de radiação nos edifícios dos reatores 1,2 e 3 têm impedido a entrada dos técnicos no interior das instalações.

A Tepco acredita que a perda de refrigeração provocada pelo terremoto e tsunami há quatro anos fez com que o combustível nuclear dos reatores 1, 2 e 3 se fundisse, perfurando os vasos de pressão. Posteriormente, eles teriam se acumulado no fundo dos vasos de contenção – que atua como uma espécie de couraça exterior.

A retirada do combustível nuclear é a operação mais complexa e delicada do longo processo para desmantelar a usina, um trabalho que pode durar até 40 anos.

O primeiro robô enviado pela Tepco deixou de estar operacional cinco horas após entrar no local, depois de completar apenas uma parte de sua missão.

Estava previsto que o robô articulado percorresse cerca de 20 metros na parte superior do compartimento de contenção, mas ficou preso em algum obstáculo após cobrir aproximadamente a metade do trajeto programado.

Apesar dos problemas, o primeiro robô detectou níveis de radiação de até 10 sieverts por hora (Sv, unidade usada para avaliação do impacto da radiação ionizante sobre os seres humanos). A quantidade detectada é suficiente para provocar a morte de uma pessoa em menos de 60 minutos, mas abaixo do previsto pelos técnicos. Os dados revelaram também que o dispositivo pode funcionar dentro do reator por vários dias.

A Tepco planeja ter no ano que vem uma nova versão do robô, resistente à água e capaz de explorar a parte inferior do vaso de contenção, onde está acumulado o líquido dos sistemas de refrigeração e também o combustível fundido.

O robô, construído em forma tubular e articulado para contornar obstáculos, foi desenvolvido pela Hitachi General Eletric Nuclear Energy e o Centro Internacional de Desmantelamento Nuclear do Japão.

(Com informações das Agências ‘EFE’ e ‘Kyodo’)

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