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Japão busca garantir segurança de seus cidadãos no Afeganistão

©Agência Anadolu / Kyodo

Japão fechou sua embaixada no Afeganistão e evacuou seus funcionários, mas ainda falta retirar japoneses de outros órgãos no país.

O Japão está em contato próximo com um “pequeno número” de seus cidadãos que ainda estão no Afeganistão, buscando garantir sua segurança depois que militantes do Talibã tomaram a capital Cabul, anunciou o porta-voz do governo em coletiva emergencial de imprensa, segundo noticiou a agência Reuters

Em meio à deterioração da situação de segurança na capital afegã depois que o Talibã assumiu o controle sem luta no último domingo (15), o Japão fechou sua embaixada no país e evacuou os últimos 12 funcionários, disseram autoridades esta semana.

Membros do Talibã perto do Aeroporto Internacional Hamid Karzai enquanto milhares de afegãos corriam para fugir da capital Cabul em 16 de agosto de 2021 | ©Agência Anadolu / Kyodo

O secretário-chefe de gabinete, Katsunobu Kato, disse ontem em entrevista coletiva que nenhum dos japoneses que ainda permaneciam no Afeganistão estavam feridos, mas se recusou a dar detalhes, alegando preocupações com a segurança deles.

A maioria deles trabalha em organizações internacionais, disse um funcionário do Ministério das Relações Exteriores, mas que também se recusou a dar detalhes, incluindo o número de cidadãos japoneses que ainda se encontram no país conflituoso.

“Estamos fazendo da segurança dos japoneses que ainda estão no Afeganistão nossa maior prioridade”, disse ele.

Foto tirada em 15 de agosto de 2021 mostra engarrafamento em Cabul, com os afegãos tentando fugir após a invasão do Talibã à capital afegã no mesmo dia | © Kyodo

A Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) disse que sua última equipe japonesa partiu em junho, devido à piora nas condições de segurança, bem como à incerteza sobre a pandemia do coronavírus.

Outra grande agência japonesa no exterior, a Organização de Comércio Exterior do Japão (JETRO), afirmou que jamais teve um escritório no Afeganistão e, portanto, não tem funcionários naquele país.

Talibã em resumo

Talibã é um movimento fundamentalista e nacionalista islâmico que se difundiu no Paquistão e, sobretudo, no Afeganistão, a partir de 1994 e que, efetivamente, governou cerca de três quartos do Afeganistão entre 1996 e 2001, apesar de seu governo ter sido reconhecido por apenas três países: Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Paquistão.

O movimento desenvolveu-se entre membros da etnia pachtun, porém também incluía muitos voluntários não afegãos do mundo árabe, assim como de países da Eurásia e do Sul e Sudeste da Ásia.

Por quase duas décadas, seu líder foi Mohammed Omar, considerado um dos mais influentes jihadistas do mundo. Ele liderou a luta para estabelecer os Talibã como a principal força política e militar no Afeganistão na década de 1990, e depois liderou a insurgência contra tropas ocidentais no território afegão. Quando morto, em 2013, foi sucedido por Akhtar Mohammad Mansour. Este, contudo, também foi morto em um ataque aéreo americano em maio de 2016.

Akhtar Mohammad Mansour foi sucedido por Mawlawi Hibatullah Akhundzada, que assumiu, em 25 de maio, o controle operacional completo do grupo.

Queda do Talibã

O Talibã foi expulso da capital Cabul pelos Estados Unidos em 2001, dias após os ataques do 11 de setembro às Torres Gêmeas, em Nova York, que deixou cerca de 3.000 mortos.

O talibã é, oficialmente, considerado uma organização terrorista.

Opressão e violência

Os talibãs são notórios por impor castigos físicos, desde a pena de morte em praça pública até chicotadas ou amputação de membros por delitos menores, além de decapitação dos “inimigos”.

Durante seu “governo”, eles despojaram as mulheres de quaisquer direitos. As mulheres foram obrigadas a se cobrir inteiramente com a burca e as meninas proibidas de ir à escola depois dos 10 anos de idade. Eles erradicaram toda a expressão cultural (cinema, música, televisão) e mesmo arqueológicas. Eles destruíram, por exemplo, os preciosos Budas de Bamiyan em março de 2001.

Na triste rotina de sua violência estão, sem dúvida, os tiros contra a menina Malala Yousafzai, em Mingora, em outubro de 2012, por levantar sua voz na internet em defesa da educação de meninas.

Malala Yousafzai em 2014 | © Southbank Centre

Malala conseguiu sobreviver ao tiro na cabeça desferido pelo talibã e, depois de passar por várias cirurgias, foi a laureada mais jovem ao Nobel da Paz de 2014, aos 17 anos, “pela sua luta contra a supressão das crianças e jovens e pelo direito de todos à educação”.

Retomada do poder

Em 17 de agosto de 2021, após duas décadas afastado do poder, o Talibã retomou o controle do Afeganistão ao conquistar Cabul e derrubar o governo central afegão. Em seguida um novo Emirado Islâmico foi proclamado.

O jornal El País compilou uma matéria que relata, em detalhes, a origem e trajetória do Talibã. Confira aqui!

== Por Maria Rosa / Mundo-Nipo (MN)