Política

Japão oferece US$ 720 milhões em ajuda ao Iraque

O montante faz parte de um acordo creditício firmado entre o embaixador japonês e o ministro das Finanças do país.

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Do Mundo-Nipo com Agências

O governo do Japão ofereceu um empréstimo de US$ 720 milhões ao Iraque para ajudar na restauração da infraestrutura do país, que vem enfrentando, há anos, o grupo extremista Estado Islâmico (IE). O montante faz parte de um acordo creditício anunciado ontem pelo diplomata da embaixada japonesa no Iraque, Kansuke Nagaoka.

O embaixador japonês e o ministro das Finanças do Iraque, Hoshyar Zebari, assinaram uma troca de memorandos na segunda-feira, em Bagdá. O governo iraquiano ressaltou que a soma será destinada, principalmente, “para melhorar a vida da população”, cansada de refugiar-se em países vizinhos para fugir dos confrontos entre as forças iraquianas e o grupo Estado Islâmico.

A ajuda do governo japonês também custeará a construção de uma subestação de energia elétrica no sul do país, região bastante afetada pela falta de eletricidade. Ainda de acordo com o governo iraquiano, serão instaladas linhas de transmissão que interligará algumas áreas na região norte do país, cujo controle foi recuperado das mãos de militantes do IE.

Ofensiva das forças iraquianas contra o Estado Islâmico
Nesta terça-feira (26), as forças iraquianas, ajudadas por milicianos xiitas, lançaram uma operação com o objetivo de isolar os jihadistas do grupo Estado Islâmico na província chave de Al-Anbar, antes de tentar retomar sua capital, Ramadi.

O anúncio da operação foi feito um dia após a Casa Branca declarar que tentou diminuir a tensão com Bagdá, depois que o secretário de Defesa americano, Ashton Carter, acusou o exército iraquiano de sofrer de uma “falta de vontade” frente ao EI.

Ramadi, capital da província de Al-Anbar, a maior do Iraque, havia resistido durante meses ao ataque dos jihadistas, que finalmente conquistaram a cidade no dia 17 de maio, depois de uma ampla ofensiva e de uma retirada caótica das forças iraquianas.

O primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, prometeu recuperar esta região das mãos do EI, que controla a maioria da província de Al-Anbar (oeste) estendendo seus limites desde a região de Bagdá até as fronteiras síria, saudita e jordaniana.

Para isso, pediu o envolvimento das Unidades de Mobilização Popular, uma força paramilitar de maioria xiita que ajudou o exército a retomar a cidade de Tirkit dos jihadistas.

Na operação iniciada nesta terça-feira, as forças iraquianas e os paramilitares xiitas seguirão do sul da província de Saladino, na fronteira com Al-Anbar, até as regiões desérticas do nordeste de Ramadi para isolar os jihadistas e preparar a ofensiva para retomar a capital provincial.

A força paramilitar indicou que 4.000 homens avançavam ao limite norte de Ramadi. O objetivo da missão “As suas ordens, Hussein” é “libertar as regiões situadas entre Saladino e Al-Anbar, e tentar isolar a província de Al-Anbar”, explicou Ahmed Al-Asadi, porta-voz das Unidades de Mobilização Popular.

Hussein é um dos imãs mais venerados pela comunidade muçulmana xiita, majoritária no Iraque.

As forças governamentais, reforçadas por tribos sunitas e milicianos xiitas, conseguiram retomar uma parte do território perdido ao leste de Ramadi e avançaram ao sul e ao oeste da cidade, retomando a zona de Al-Taesh.

“As forças iraquianas e Hashd al-Shaabi cortaram, a partir do sul, todas as vias de abastecimento do EI para Ramadi”, informou um membro do conselho provincial, Arkan Jalaf al Tarmuz.

A perda desta capital provincial constituiu um revés para o governo iraquiano e para seu grande aliado Washington, envolvido ao lado de outros países árabes e ocidentais em uma campanha aérea contra o EI no Iraque e na vizinha Síria.

Após as críticas do secretário de Defesa americano, o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, telefonou na segunda-feira a Abadi para reconhecer “a coragem e o enorme sacrifício” dos soldados do exército iraquiano frente ao EI e reafirmar o apoio de seu país ao governo iraquiano.

No entanto, a queda de Ramadi também colocou em xeque a estratégia americana. Os mais de 3.000 bombardeios aéreos da coalizão liderada por Washington não conseguiram impedir o avanço do EI, que estendeu seu califado, proclamado em junho de 2014, entre Síria e Iraque.

Quase 55.000 habitantes fugiram de Ramadi, segundo a ONU. Mas boa parte deles foram impedidos de passar a outras províncias por medo de que existam jihadistas entre eles.

“Milhares de pessoas que fugiam de Ramadi estão bloqueadas em postos de controle ou impedidas de entrar em zonas seguras”, declarou o Comitê Internacional de Socorro, uma ONG de ajuda aos refugiados.

Em janeiro de 2014 o grupo jihadista tomou o controle de vários setores de Al-Anbar e cinco meses depois conseguiu tomar várias regiões ao norte e leste de Bagdá.

Na Síria, aproveitando a guerra civil, o grupo jihadista dominou extensas regiões em 2013 e no dia 21 de maio conseguiu controlar a cidade histórica de Palmira, no deserto, perto da fronteira com o Iraque.

(Com informações das agências Kyodo e France Presse)

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