Política

Japão e EUA anunciam novas diretrizes de cooperação de defesa

As diretrizes permitem Japão derrubar mísseis que se dirijam para os EUA e que aja em defesa de outros países sob ataque.

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Do Mundo-Nipo com Agências

Japão e Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira (27) novas diretrizes para cooperação de defesa, destacando a disposição dos japoneses em assumir uma postura internacional mais presente em tempos de crescente poder da China e das preocupações em relação ao poder nuclear da Coreia do Norte.

Washington disse aos líderes japoneses que seu compromisso com a segurança do Japão continua “firme como aço”, abrangendo todos os territórios sob o controle do governo de Tóquio, incluindo as pequenas ilhotas do Mar do Leste, que são disputadas entre o Japão e China, chamadas de Senkaku pelos japoneses e Diaoyu pelos chineses.

Um dos principais temas da visita do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, aos EUA nesta semana, as diretrizes fazem parte de uma indicação mais ampla de Abe de que o Japão está pronto para assumir uma maior responsabilidade pela própria segurança, diante de uma China que moderniza seu poderio militar e exibe seu poder na Ásia.

As diretrizes permitem uma cooperação militar global, indo desde sistemas de defesa contra mísseis balísticos a ataques cibernéticos e pelo espaço e segurança marítima. O texto atende a uma resolução, feita no ano passado, que reinterpretou a Constituição pacifista pós-Segunda Guerra do Japão.

A resolução permite o exercício do direito de “autodefesa coletiva”. Isso significa, por exemplo, que o Japão pode derrubar mísseis que se dirijam para os EUA e que aja em defesa de outros países sob ataque.

Em entrevista coletiva conjunta com os ministros de Defesa e Relações Exteriores do Japão, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, chamou a primeira revisão das diretrizes desde 1997 de “uma transição histórica”.

Em mensagem direcionada a Pequim, em face da crescente assertividade chinesa no nordeste e sudeste asiático, Kerry disse que os EUA rejeitavam qualquer sugestão de que a liberdade de navegação e sobrevoo sejam “privilégios que países grandes concedem aos pequenos, submetidos ao capricho e conveniência do país grande.”

As diretrizes devem levar a uma maior coordenação entre Japão e EUA para garantir a segurança no Mar do Sul da China, onde a China e outros países possuem reivindicações conflitantes sobre ilhas espalhadas.

No entanto, em entrevista coletiva, o chanceler japonês, Fumio Kishida, e o ministro da Defesa do Japão, Gen Nakatani, se esquivaram repetidas vezes de perguntas sobre a possibilidade de um patrulhamento conjunto das vias marítimas na Ásia, dizendo que a legislação no Japão ainda precisava ser trabalhada e outros países da região, consultados.

Kerry deixou claro que Washington estava pronto para cumprir suas obrigações assumidas em tratado com o Japão, afirmando que “nosso compromisso no tratado de segurança com o Japão continua firme como aço e cobre todos os territórios sob administração japonesa”.

As diretrizes eliminam as restrições geográficas que vinham em grande medida limitando um trabalho conjunto de defesa, restringindo-o geograficamente ao Japão e seus arredores, disse uma autoridade de alto escalão do governo dos EUA.

“Vamos poder fazer globalmente o que somos capazes de fazer na Defesa do Japão e regionalmente”, disse a autoridade.

Os Estados Unidos estão prontos para usar todas as opções militares na defesa do Japão, seu aliado. A base da Marinha americana em Yokosuka armazenará mais navios de guerra com mísseis de defesa até 2017, e receberá um superporta-aviões movido a energia nuclear em 2015, de acordo com o comunicado conjunto divulgado pelos dois países.

Os ministros também ratificaram que “as Ilhas Senkaku são territórios sob a administração do Japão e, portanto, fazem parte dos compromissos no artigo 5º do Tratado de Cooperação Mútua e Segurança de Estados Unidos e Japão”, diz o texto.

As ilhas Senkaku foram durante muito tempo objeto de disputa entre China e Japão. Tóquio alega que ocupa as ilhas desde 1895, enquanto Pequim argumenta que as ilhas foram reconhecidas como chinesas em 1783. Os ministros afirmaram que “se opõem a qualquer ação unilateral que busque subestimar a administração japonesa dessas ilhas”.

(Com informações das agências ‘Kyodo’ e ‘Reuters’)

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