Sociedade

Japão doa US$ 3,5 milhões aos rohingyas refugiados de Myanmar

Os rohingyas, um dos povos mais perseguidos do mundo, têm sofrido séria discriminação étnica em Myanmar.

Do Mundo-Nipo com Agências

O governo do Japão ofereceu cerca de US$ 3,5 milhões em ajuda a pessoas da comunidade muçulmana rohingya refugiadas de Myanmar, país onde enfrentam grave discriminação étnica. Apesar de terem vivido em Mianmar (antiga Birmânia) por gerações, o governo do país alega que os rohingyas são novos imigrantes, negando-lhes, portanto, cidadania.

O ministro japonês das Relações Exteriores, Fumio Kishida, disse que o Japão permanece comprometido em colaborar com os esforços de reconciliação nacional em várias frentes na Ásia, incluindo em relação ao governo de Myanmar e as “minorias étnicas”.

“No que toca aos imigrantes não regulares [rohingya], incluindo mulheres e crianças que tentam atravessar o Oceano Índico, o Japão decidiu oferecer US$ 3,5 milhões através de organizações internacionais, como a ONU, para os refugiados [de Myanmar]”, disse Kishida durante uma coletiva à imprensa realizada no último sábado.

O montante doado pelo Japão é destinado a suprir as necessidades básicas dos rohingyas que fugiram recentemente de Myamar, disse o ministro japonês.

Perseguição, discriminação e violência
No início deste mês, a agência estatal de notícias malaia ‘Bernama’ denunciou que várias mulheres da comunidade muçulmana rohingya, retidas pelos traficantes em campos clandestinos da Tailândia e Malásia, foram vítimas de estupros coletivos e pelo menos duas ficaram grávidas.

A agência ouviu o depoimento de Nur Khaidha Abdul Shukur, uma mulher que passou no ano passado por um destes campos, perto de Padang Besar, na Tailândia.

“A cada noite, os guardas levavam duas ou três jovens atraentes rohingya do campo para um lugar clandestino. Os guardas as estupravam em grupo e duas mulheres ficaram grávidas”, disse.

De acordo com a agência estatal, o marido de Shukur, Nurul Amin Nobi Hussein, também foi testemunha de atos similares em outros campos da região, perto da fronteira com a Malásia.

No mês passado, as autoridades descobriram vários campos clandestinos criados por traficantes de seres humanos, com fossas comuns e dezenas de corpos, na Tailândia e na Malásia.

Grande parte da comunidade rohingya, de 1,3 milhão de pessoas, vive no estado de Rakhine, noroeste de Mianmar, na fronteira com Bangladesh. O grupo é considerado pela ONU uma das minorias mais perseguidas do mundo.

O presidente americano, Barack Obama, pediu a Mianmar que pare de discriminar os rohingyas.

“Uma das coisas mais importantes é que deixem de discriminar as pessoas em função de sua aparência ou crenças”, afirmou o presidente americano, em sua primeira referência pública à fuga de migrantes na Ásia.

“E os rohingyas são fortemente discriminados”, disse à imprensa, utilizando o termo “rohingya”, que irrita as autoridades birmanesas, que não reconhecem este grupo étnico, que considera como imigrantes ilegais procedentes de Bangladesh.

Há várias semanas, milhares de pessoas desta comunidade tentam fugir da miséria e viajam em barcos improvisados para tentar chegar às costas da Malásia, Indonésia, Tailândia ou Bangladesh.

(Com informações das agências France Presse e Kyodo)

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