Sociedade

Casal imperial do Japão visita cidade de Minamata pela primeira vez

O casal depositou flores no monumento às mais de 2 mil vítimas do “Mal ou Doença de Minamata”.

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Do Mundo-Nipo

O imperador Akihito e a Imperatriz Michiko visitaram neste domingo (27) a cidade de Minamata, no sudoeste do Japão, onde as emissões industriais de substância tóxica “mercúrio” geraram uma doença que causou a morte de duas mil pessoas, informou a agência Kyodo.

O casal imperial depositou flores no monumento às vítimas da doença que ficou conhecida por “Mal ou Doença de Minamata”, uma síndrome neurológica causada por severos sintomas de envenenamento por mercúrio, que começou a surgir em 1956, após o início de despejo dos resíduos líquidos de uma fábrica de Agrotóxico na Baía de Minamata em 1946.

O simpático casal conversou com um portador da doença no Museu Nacional da Doença de Minamata, em Minamata, na província de Kumamoto, na sequência de sua participação em um evento público sobre os recursos do mar em Kumamoto, na manhã de domingo.

Desde que o governo japonês reconheceu oficialmente a “Doença de Minamata”, em 1956, o príncipe Akishino e sua esposa, a princesa Kiko, tinham sido os únicos membros da família imperial que visitaram a cidade, no verão de 1999.

 

Mal de Minamata:

O Mal de Minamata começou a surgir em 1956, após o início de despejo dos resíduos líquidos de uma fábrica de Agrotóxico na Baía de Minamata em 1946.

As primeiras mudanças após o despejo era a mudança de ecossistema da Baía de Minamata. Houve relato de que os pescadores não conseguiam pescar mais os peixes, camarão, polvo que eram normalmente pescados naquela região.

Em 1953, começaram a aparecer os peixes boiando na Baía e ao mesmo tempo começaram a surgir os estranhos sintomas dos gatos da região, chamados como “gatos dançantes”.

Tendo como o ano oficial do surgimento do Mal de Minamata, em 1956, desde então, segundo o governo japonês, houve 2.271 pessoas registradas como portadoras da doença de Minamata e até o final de Março de 2011 foram confirmadas 1.739 pessoas falecidas.

O nível de contaminação de mercúrio pelos pacientes do Mal de Minamata chegava a atingir o nível de 338 ppm e na década de 50 chegou a atingir 705 ppm. Sendo que as pessoas comuns haviam acumulado o considerado como normal que era na faixa dos 2,47 ppm ( Homem) e 1,65 ppm ( Mulher). Apesar de que mesmo em alta concentração de mercúrio, dependendo do estado químico do mercúrio estar na forma orgânica ou inorgânica, pode acarretar no surgimento dos sintomas do Mal de Minamata ou não. Na verdade, não se sabe ao certo quais são os fatores que fazem surgir os sintomas do Mal de Minamata. Há discussões de que, apesar da alta concentração de mercúrio no corpo, precisa se de tempo para que comece a surgir sintomas. Mesmo após 56 anos de surgimento, não se sabe ao certo qual o funcionamento do surgimento de sintomas no corpo humano.

A partir de 1970, a repercussão gerada por esses acontecimentos incentivou a criação das medidas preventivas e corretivas de combate à poluição ambiental, descrito abaixo.

• Regulação de efluentes por parte da Lei de Prevenção de contaminação da qualidade da água (1970)
• Orientação de conversão do processo de manufatura (fabricação com uso de nitrogênio foi interrompida em 1968)
• Dragagem de água e aterro nas áreas contaminadas (1974 -1990)
• Instalação de separação de rede nas áreas contaminadas (1974 – 1997)
• Compensação de pesca e orientação de regulação de peixes e moluscos comestíveis da área poluída

Além do ocorrido no Japão, surgiram os mesmos problemas também em outros lugares do mundo, tais como na, China, Canadá, Indonésia, Filipinas e no próprio Brasil, principalmente devido à utilização de mercúrio em atividades de extração de ouro.

Anos depois, o Japão conseguiu enfrentar esse problema, resultando em tecnologias de descontaminação e controle do uso do mercúrio, além da medição de mercúrio de uma forma barata, rápida e confiável, conhecido como método Akagi.

 

As informações sobre “Mal de Minamata” são da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA, na silga em inglês).

Veja o pedido da escritora Michiko Ishimure à imperatriz para visitar Minamata, além de uma versão da escritora sobre a doença, em uma matéria do The Asahi Shimbun (em inglês).

 

Vídeo com informações detalhadas sobre o “Mal de Minamata” (em espanhol):

 


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