Tecnologia

Físicos do Japão saúdam equipe dos EUA por detecção de ondas gravitacionais

O grupo comprovou a teoria antecipada por Einstein, há um século, de que existem ondas gravitacionais após colisão de buracos negros.

A equipe de cientistas japoneses liderada pelo ganhador do Nobel de Física, Takaaki Kajita, emitiu ontem (12) um comunicado de felicitações ao grupo norte-americano que detectou, pela primeira vez, as ondas gravitacionais, que são ondulações no espaço e no tempo e previstas pelo físico Albert Einstein há um século, informou neste sábado (13) a agência de notícias Kyodo.

“A confirmação da existência de ondas gravitacionais é um avanço ‘histórico’ que os pesquisadores no campo há muito tempo vem trabalhando nessa direção”, diz a equipe japonesa no comunicado, conforme noticiou a Kyodo.

A equipe de Kajita também atua na área e vem tentando detectar essas ondulações no espaço. Eles têm trabalhado com o potente telescópio criogênico em grande escala gravitacional (KAGRA – Kamioka Gravitational Wave Detector), que está sendo construído no centro de pesquisas em Kamioka, na prefeitura de Gifu.

Kajita, que além de liderar o “grupo Kagra”, também é diretor do Instituto de Pesquisa de Raios Cósmicos, um centro da Universidade de Tóquio. Ele disse que seu grupo espera “concluir a construção [do telescópio] e assim alcançar uma elevada sensibilidade [medição] para fazer parte da rede internacional de ondas gravitacionais [observação] o mais rápido possível”.

“Felicito enfaticamente o laboratório LIGO [Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory] por descobrir evidências de ondas gravitacionais. É uma conquista histórica que todos os pesquisadores de ondas gravitacionais e da Teoria da Relatividade Geral têm estado à espera”, concluiu o ganhador do Nobel de Física 2015.

A detecção das ondas foi anunciada na quinta-feira (11) pelos pesquisadores do projeto LIGO. Denominado ‘Observation of Gravitational Waves from Binary Black Hole Merger’ (Observação de ondas gravitacionais de uma fusão binária de Buracos Negros, em tradução livre), o estudo foi aceito e publicado pela revista científica Physical Review Letters.

O sinal captado pelo observatório do projeto, que é situado em dois locais distintos (um em Livingston, na Louisiana, e outro em Hanford, em Wahington, a uns 3 mil quilômetros de distancia um do outro) coincide com os cálculos de comportamento gravitacionais dessas ondas produzidas após a colisão de dois buracos negros.

Cientistas de mais de 40 instituições de todo o mundo trabalham continuamente analisando os dados do Ligo.

Teoria da Relatividade Geral por Albert Einstein
Em 25 de novembro de 1915, Albert Einstein apresentou à Academia Prussiana de Ciências a versão final de suas equações de campo, que descrevem como a matéria produz gravidade e a influência da gravidade sobre a matéria.

As equações sustentavam sua Teoria da Relatividade Geral – pilar da física moderna que transformou nosso entendimento do espaço, do tempo e da gravidade.

A partir daí, um leque de conhecimento se abriu – da expansão do Universo ao movimento dos planetas, passando pela existência de buracos negros.

Mas Einstein também propôs a presença de ondas gravitacionais, basicamente feixes de energia que distorcem o tecido do espaço-tempo, o conjunto de quatro dimensões formado por tempo e espaço tridimensional.

Pense nesse fenômeno mais ou menos como as ondas que se formam quando jogamos uma pedra em um lago.

Qualquer objeto com massa deveria gerar essas ondas quando está em movimento. Até nós mesmos. Quanto maior a massa, mais intenso será o movimento, e maiores serão as ondas. Einstein previu que o Universo estava inundado por essas ondas.

MN – Mundo-Nipo.com
Fontes: Kyodo News | Agência Reuters.