Cresce comércio de sites que vendem ‘amigos e curtidas’ nas redes sociais

Há vários sites que vendem pacotes de bots que podem se passar por amigos, fazendo que as pessoas pareçam mais populares e até influenciar na opinião pública.

Do Mundo-Nipo

Atualmente, existem diversos serviços na web que vendem serviços que permitem usuários de redes sociais a comprar bots (abreviação em inglês para robots ou robôs em português) que podem se passar amigos, fazendo que as pessoas pareçam mais populares e até mesmo possibilita aos compradores influenciarem na opinião pública relacionada a qualquer assunto.

 

Pacote de bots para se passar por amigos nas redes sociais (Imagem: Reprodução)
Pacotes de retuítes, favoritos, visitas e até comentários estão à venda em sites como o Swenzy, Fiverr e muitos outros (Imagem: Reprodução)

 

“Quem diz que dinheiro não compra amigos parece não ter visitado a internet nos últimos tempos”, diz Nick Bilton, colunista do Jornal New York Times.

O colunista realizou uma pesquisa na qual até comprou pacotes de amigos. “Na semana passada, adquiri 4 mil novos seguidores no Twitter por US$ 5. Pelo mesmo valor, comprei mais 4 mil no Facebook e, por alguns dólares a mais, cerca da metade deles curtiu uma foto que postei”, diz Nick.

Nick afirma ainda que poderia ter adquirido “1 milhão” de novos amigos no Instagram pela bagatela US$ 3,7 mil. “Por mais US$ 40 mil, 10 mil destes novos amigos teriam curtido uma das fotos que postei”, relata.

Pacotes de retuítes, favoritos, visitas e até comentários estão à venda em sites como o Swenzy, Fiverr e muitos outros.

O colunista conta ainda que muitos de seus “amigos” vivem fora dos Estados Unidos. A maioria é da Índia, Bangladesh, Romênia e Rússia.

Os bots são um tipo de software, criados para se comportar como se fossem pessoas de verdade, usuárias de sites de mídia social.

Os bots existem há anos e costumava ser fácil distingui-los. Principalmente pelos nomes, que eram gerados por computador, contendo letras e números, algo como “Jen934107”.

Os bots atuais, no entanto, têm nomes que soam reais, como Mike, Pedro e Maria, por exemplo. Suas atividades são em linha com a de humanos, seguindo horários de pessoas normais, e quase nunca entram em atividade na madrugada. Compartilham fotos e até comentam. São capazes de rir de uma piada e se envolverem em conversas.

Esses “humanos” imaginários da web têm um poder surpreendente. Eles podem conferir mais popularidade a celebridades e aspirantes a essa condição. Podem influenciar na opinião pública, bem como tornar popular um produto e até políticos.

Existem bots que são capazes de divulgar “hastags” (placas online indicando o caminho de uma determinada discussão) sobre pontos de vistas opostos aos que seus controladores defendem, o que pode confundir as pessoas ou redirecionar uma discussão.

Um grande exemplo disso é relatado pelo colunista: “Em 2012, durante a eleição presidencial no México, o PRI (Partido Revolucionário Institucional) foi acusado de usar milhares de bots a fim de distorcer mensagens dos partidos a que se opunha no Twitter e no Facebook”, relata.

Diz-se que o PRI usou truques, alterando a linguagem de discussões o suficiente para conduzir as pessoas quanto ao que exatamente os partidos adversários estavam dizendo.

Nick afirma em sua publicação que conversou com um operador de um desses sites, o Swenzy. O homem, que se identificou como Simon Z, relatou que sua empresa usa inteligência artificial e outras manobras digitais com o objetivo de escapar dos “caçadores de bots”, como Google, Facebook e Twitter, que dedicam muito esforço para tentar eliminá-los de seus sites. “Ás vezes esses esforços funcionam, ao menos por algum tempo”, disse Simon Z.

Ao longo dos anos, o Google reduziu em centenas de milhões a contagem de visitas a determinados vídeos, por atribuí-las a bots.

Simon Z diz que hoje opera 100 mil robôs muito avançados, ativos em diversas redes: YouTube, Facebook, Twitter, Vine, Instagram e SoundCloud.

Por enquanto, os bots são enganosos de modo simples, iludindo outras pessoas a imaginar que alguém seja popular, ou defendendo uma causa. Entretanto, á medida que a sofisticação dessa tecnologia enganosa crescer, eles podem se tornar perigosos.

Um grande exemplo desse perigo foi demonstrando em um projeto acadêmico de dois estudantes do Instituto de Tecnologia de Israel (Technion). O projeto causou um falso congestionamento de trânsito no Wase.

Os estudantes conseguiram criar bots que imitavam celulares Android, acessando falsos sinais de GPS, e operados por falsos seres humanos que dirigiam falsos carros.

O Wase acreditou que os bots eram pessoas que estavam dirigindo na rua, e começou a redirecionar o tráfego e outras vias.

“Assim, cuidado com os amigos bots que você fizer. Se o bot em questão tiver um ponto de vista político diferente, ele pode se voltar contra você”, conclui Nick em sua publicação.

 


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