A chimpanzé Ai, reconhecida internacionalmente por suas notáveis habilidades cognitivas e por sua participação pioneira em pesquisas sobre linguagem e alfabetização entre primatas, morreu aos 49 anos no Japão. A informação foi confirmada pelo Centro para as Origens Evolutivas do Comportamento Humano, ligado à Universidade de Kyoto, informou a Kyodo na segunda-feira.
Segundo o instituto, Ai morreu de causas naturais relacionadas à idade avançada, incluindo falência múltipla de órgãos. Ela faleceu na última sexta-feira (9), enquanto recebia cuidados da equipe especializada do centro, localizado na cidade de Inuyama, na província de Aichi.
Nascida na África Ocidental em 1976, Ai foi levada ao Japão ainda filhote, no ano seguinte, passando a viver no então Instituto de Pesquisa de Primatas — atualmente integrado à Universidade de Kyoto. Desde muito jovem, tornou-se parte de um ambicioso projeto científico voltado à compreensão das origens evolutivas da cognição humana.
Aos 18 meses de idade, Ai iniciou treinamentos que envolviam o uso de computadores, cartões visuais e símbolos gráficos. Com o passar dos anos, demonstrou capacidade de reconhecer letras, números e até caracteres kanji, associando símbolos a cores, objetos e quantidades — um feito considerado extraordinário à época.
Seu desempenho chamou atenção da comunidade científica internacional ainda na década de 1980. Em 1985, a renomada revista científica Nature destacou os resultados obtidos com Ai, consolidando seu papel como um marco nos estudos sobre linguagem e aprendizagem em animais não humanos.
Além de suas habilidades cognitivas, Ai também foi protagonista de episódios curiosos ao longo da vida em cativeiro. Em 1989, escapou de sua jaula junto com outro chimpanzé, levando pesquisadores a concluir que ela havia aprendido a abrir o cadeado utilizando uma chave.
Em 2000, Ai deu à luz um filhote, Ayumu, que mais tarde também se tornaria objeto de estudos científicos. As habilidades demonstradas pelo jovem chimpanzé reforçaram pesquisas sobre a possível transmissão intergeracional de conhecimento, ampliando o impacto do legado científico de Ai.
A morte da chimpanzé representa uma perda significativa para a primatologia e para os estudos sobre cognição animal, encerrando a trajetória de um dos animais mais importantes da história da pesquisa científica no Japão, conforme noticiou a Kyodo.
== Mundo-Nipo (MN)
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