Ciência e Saúde

Vida saudável pode prevenir sintomas de Alzheimer, diz estudo

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Com a prática de exercícios e uma boa alimentação, portadores de Alzheimer podem jamais manifestar os sintomas da doença.

Atualizado em 18/02/2019

Um novo e otimista estudo publicado no jornal científico The Lancet Neurology diz que a prática de hábitos saudáveis e de uma vida ativa, mesmo depois da velhice, podem evitar que alguns pacientes com Alzheimer nunca manifestem os sintomas, tais como perda de memória e das funções cognitivas.

Estudos anteriores já haviam indicado que viver de forma saudável na velhice pode evitar a demência, mas esta é a primeira pesquisa a sugerir que bons hábitos podem até mesmo prevenir a aparição dos sintomas.

“A fragilidade pode desencadear a expressão clínica da demência, mas ela pode permanecer assintomática em alguém que não é frágil. Este é um passo enorme na direção certa para a pesquisa de Alzheimer”, disse Rockwood.

O estudo
Para chegar a essa conclusão, a equipe avaliou 456 idosos matriculados em um projeto de memória e envelhecimento. A análise do cérebro dos participantes foi feita depois da morte para verificar se algum deles sofria de demência.

Os resultados dos exames mostraram que 8% dos idosos acompanhados tinham alterações cerebrais relacionadas ao Alzheimer, como placas de proteínas, mas não manifestaram sintomas. Já 11% sofriam do problema, mas tinham poucas das placas cerebrais características da doença.

Segundo a equipe de pesquisadores da Universidade de Dalhousie, no Canadá, os pacientes assintomáticos tinham menos fadiga, problemas nas articulações, no coração e de mobilidade. Além disso, também apresentavam menos osteoporose e boa capacidade de preparar refeições – indícios de uma boa saúde.

“É possível que ajudar as pessoas a manterem a independência mais tarde na vida ajude a reduzir o risco de demência e a gravidade dos sintomas debilitantes comuns nesta doença”, comentou Kenneth Rockwood, principal autor do estudo.

Vida saudável eleva expectativa de vida
O estudo do pesquisador Rockwood é corroborado pela conhecida longevidade no Japão por conta do estilo de vida saudável, que também inclui boa alimentação, prática de exercícios e vida ativa.

O Japão é o país com a maior expectativa de vida do mundo. No país, pessoas com idade a partir de 65 anos compõe mais de um quarto da população japonesa, ou seja, 26% de um total estimado em 127 milhões, uma proporção que deve alcançar 40% até 2060, de acordo com o Ministério de Assuntos Internos e Comunicações do Japão.

No país, é comum ver idosos na faixa etária de 70 anos ainda trabalhando, com alguns ainda dirigindo aos 90 anos.

Embora haja grande incidência de idosos com doenças como Alzheimer e Demência no Japão, a proporção é bem menor do que em outros países desenvolvidos. Pouco mais de 5% do total de japoneses com idade a partir de 65 anos tem Alzheimer. Essa porcentagem é menos da metade dos cerca de 15% nos Estados Unidos, segundos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

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Alzheimer no mundo
Em 2013, havia cerca de 30 milhões de pessoas portadoras de Alzheimer em todo o mundo. Atualmente, esse número subiu para aproximadamente em 35,6 milhões. Estima-se que exista no Brasil 1 milhão e 200 mil pessoas com Alzheimer, segundo dados divulgados no site brasileiro Alzheimer Med.

Em razão do envelhecimento da população global, esses números aumentarão significativamente e, em 2030, serão 65,7 milhões. Em 2050, serão 115.4 milhões de portadores, sendo dois terços deles em países em desenvolvimento, aponta o Alzheimer Med.

MN – Mundo-Nipo
Fontes: Jornal TelegraphAlzheimer MedKyodo News.