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Estudo revela que Monte Fuji está em estado crítico e pode entrar em erupção

Foto: Distribuição / JNTO

O terremoto que atingiu o nordeste japonês em março de 2011 criou perturbações no Monte Fuji, um vulcão que, até então, era considerado adormecido.

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Um estudo conduzido por pesquisadores franceses em colaboração com cientistas do Japão revelou que o Monte Fuji está em estado crítico e pode entrar em erupção. Publicado recentemente na semana na revista Scienc, o estudo aponta o terremoto que atingiu o nordeste japonês em março de 2011 como responsável por criar perturbações no até então adormecido vulcão.

A publicação afirma que o símbolo maior do Japão está em estado crítico e uma erupção pode ameaçar as vidas de cerca de 8 milhões de pessoas que vivem em Tóquio e em áreas próximas, além de destruir estradas e ferrovias que ligam as cidades mais populosas do Japão.

A suspeita de que o terremoto e o tsunami de 2011 tinham afetado o vulcão existia desde 2012. No começo deste mês, pesquisadores do Institut des Sciences de la Terre e do Institut de Physique du Globe de Paris, em colaboração com cientistas japoneses, publicaram as conclusões de um estudo conduzido nos vulcões japoneses. A intenção era descobrir como as ondas sísmicas liberadas pelo terremoto haviam afetado os vulcões, e tentar entender se esses ecos dos tremores poderiam ser úteis para prever grandes erupções.

Os pesquisadores explicaram que usaram os “ruídos sísmicos” do potente tremor Tohoku-Oki – nome dado pelos japoneses ao fatídico terremoto de 2011 – para criar uma espécie de ultrassonografia da crosta terrestre. Com isso, perceberam que as maiores perturbações na crosta ocorreram justamente abaixo do Monte Fuji, a aproximadamente 400 quilômetros do epicentro do tremor.

O terremoto aumentou a pressão naquela região vulcânica onde erupções não acontecem desde 1707. A última erupção no Fuji aconteceu justamente dias depois de um terremoto de magnitude 8,7 na escala Richter ter atingido a costa de Osaka. Na ocasião, o vulcão liberou cerca de 1 bilhão de metros cúbicos de cinzas e rochas. Parte desse material atingiu Tóquio – que na época se chamava Edo – localizada a 100 quilômetros dali. Uma nova erupção, segundo os especialistas, deixaria Tóquio coberta por cinzas.

O Tohoku-Oki atingiu magnitude 9, uma dad mais altas já registradas na história da humanidade. De acordo com pesquisas japonesas, essa potente magnitude elevou a pressão na câmara de magma do vulcão, que agora está cerca de 16 vezes mais alta do que quando da última erupção, de 300 anos atrás.

Nosso trabalho não diz que o vulcão vai entrar em erupção imediatamente, mas mostra que está em estado crítico”, disse Florent Brenguier, um dos autores do estudo, ao jornal britânico The Guardian.

“Tudo  que podemos dizer é que o Monte Fuji está, agora sob pressão, o que significa que ele apresenta um grande potencial para entrar em erupção. O risco é claramente maior”, completa.

A possibilidade de uma erupção preocupa o governo japonês. No ano passado, as províncias de  Shizuoka, Yamanashi e Kanagawa divulgaram um plano para evacuar as 750 mil pessoas que vivem nas 14 cidades mais próximas do vulcão.

Antes de tais estudos, o Monte Fuji era então um vulcão supostamente adormecido. A venerável montanha é o ponto mais alto do arquipélago japonês, com quase 4 mil metros de altura. Essa montanha, considerada “sagrada” para os japoneses, recebe mais de 300 mil visitantes ao ano.

Em junho de 2013, o símbolo maior do Japão foi declarado pela Unesco como Patrimônio da Humanidade, por ser considerado “um lugar sagrado e fonte de inspiração artística”.

Do Mundo-Nipo
Fonte principal: The Guardian.

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