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Premiê do Japão vai aumentar salário dos trabalhadores

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Para o premiê japonês, aumentos salariais são a chave para derrotar a deflação, revertendo o longo ciclo de gastos fracos do consumidor.

O primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, prometeu nesta segunda-feira (6) garantir aumentos salariais dos trabalhadores e assim proteger a economia do aumento da inflação global, ao mesmo tempo em que fortalece as defesas do país enquanto lida com uma China assertiva e uma Coreia do Norte imprevisível.

Kishida fez os comentários no dia de abertura da sessão extra do Parlamento convocada para debater um orçamento suplementar para amortecer os efeitos da pandemia de Covid-19, enquanto ele visa restaurar a economia e, em seguida, lidar com a reforma fiscal.

Os aumentos salariais são a chave para o objetivo do premiê de derrotar a deflação, revertendo um ciclo de crescimento moderado dos salários e gastos fracos do consumidor, ao mesmo tempo que encoraja as empresas japonesas a gastar seus montantes recordes de dinheiro no aumento de salários e investimentos.

Desde que assumiu o cargo em outubro, Kishida pressionou as empresas japonesas, instando aquelas cujos ganhos se recuperaram aos níveis pré-pandêmicos a aumentar os salários em 3% ou mais.

“O governo estabelecerá as bases para ajudar as empresas do setor privado a aumentar os salários, fortalecendo a tributação e oferecendo deduções ousadas para as empresas que aumentam os salários”, disse.

“À medida que aumenta a ansiedade de que o aumento da inflação global possa ter um efeito cascata sobre o Japão, farei o máximo para (realizar) aumentos salariais a fim de proteger a economia japonesa”, disse Kishida.

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Aumento da capacidade de Defesa

O líder da terceira maior economia do planeta disse que, na política de segurança, o Japão fortalecerá fundamentalmente sua postura de defesa examinando opções, incluindo adquirir a capacidade de atacar bases inimigas.

Fumio Kishida | © Arquivo / Stanislav Kogiku

“Para proteger a vida e o sustento das pessoas, examinaremos todas as opções, incluindo a capacidade de atacar as bases inimigas (…) e fortalecer nossa postura de defesa, fundamentalmente com um senso de velocidade”, disse Kishida.

Tal capacidade marcaria uma mudança na postura militar do Japão, já que Tóquio, restringida por sua constituição pacifista pós-Segunda Guerra Mundial, desempenharia um papel de escudo em sua aliança de segurança com os Estados Unidos, enquanto Washington desempenharia um papel de ataque.

A obtenção de capacidades para atacar bases inimigas tem sido sugerida em recentes governos japoneses e Kishida gostou da ideia, mesmo quando concorreu a uma eleição de liderança do partido governante em setembro, quando os mísseis norte-coreanos se tornaram cada vez mais capazes de escapar de interceptadores.

Como parte do esforço para aumentar a capacidade de defesa do Japão, o governo renovará três documentos principais que estabelecem a política de segurança do país – Estratégia de Segurança Nacional, Diretrizes do Programa de Defesa Nacional e Programa de Defesa de Médio Prazo – em um ano, disse Kishida.

Reforço da vacinação

Sobre a resposta do Japão ao novo coronavírus, Kishida disse que planejava possibilitar a vacina de reforço sem esperar o fim do atual período estabelecido pelo governo, de oito meses após a segunda dose.

Pedidos de doses de reforço precoces têm aumentado no Japão, à medida que a Omicron – nova variante da Covid-19 e que é altamente transmissível – está se espalhando globalmente, embora os casos diários de infecções tenham permanecido baixos nas últimas semanas.

Se as infecções começarem a aumentar novamente, o governo responderá rapidamente com medidas, tais como restrições mais rígidas às atividades, “enquanto busca a compreensão do povo com os cuidados contra o vírus”, disse Kishida.

Segundo o informou o Yomiuri Shimbun nesta segunda-feira, a política de Kishida em tomar fortes medidas anti-coronavírus parece ter valido a pena, já que o apoio dos eleitores aumentou depois que seu governo reforçou, na semana passada, controles de fronteira mais rígidos contra a Omicron, bem como o reforço da vacinação.

Com Reuters / Tradução e adaptação Mundo-Nipo.
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