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Recuo do PIB do Japão no 1º trimestre cai à metade da leitura inicial

Pessoas lotam area turistica no distrito de Asakusa em Toquio Foto Koji Sasahara
©Koji Sasahara/AP

Os dados revisados mostraram que o consumo doméstico, que representa mais da metade da economia japonesa, evitou uma queda maior do PIB.

Atualizado em 09/06/2022

A economia japonesa, em número revisado, retraiu a metade da  leitura preliminar inicialmente relatada no primeiro trimestre, uma vez que o consumo privado permaneceu resiliente diante do ressurgimento dos casos de Covid-19 e as empresas reconstruíram seus estoques, compensando a queda nos gastos empresariais, informou a agência Reuters.

Embora a contração mais lenta seja uma boa notícia para os formuladores de políticas que esperam que a economia retome o crescimento neste trimestre, as persistentes interrupções na cadeia de abastecimento continuam sendo um risco para o ímpeto  econômico no trimestre abril-junho.

Dados revisados ​​do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados pelo Escritório do Gabinete na quarta-feira (8) mostraram que a economia do Japão encolheu 0,5% em termos anualizados no período de janeiro a março. Isso quer dizer que a queda é 50% menor do que a leitura preliminar divulgada no mês passado, quando relatou retração de 1,0%.

O resultado negativo no primeiro trimestre de 2022 contrasta fortemente com o trimestre anterior, ou seja, o quarto trimestre do ano passado, quando o país registrou forte crescimento anualizado de 4,6% no período de outubro a novembro de 2021, de acordo com dados revisados.  

Na comparação trimestral, a economia japonesa caiu 0,1% no primeiro trimestre, superando as expectativas medianas do mercado, que estimavam retração de 0,3%.

Por sua vez, o consumo privado, que representa mais da metade do PIB do Japão, aumentou 0,1% no primeiro trimestre em relação aos três meses anteriores, revisado para cima de uma leitura estável, graças a uma contribuição mais forte de tarifas de telefonia móvel e vendas de automóveis.

Segundo Takumi Tsunoda, economista sênior do Shinkin Central Bank Research Institute, “um aumento nos estoques também apoiou o crescimento, em um sinal de que as montadoras e outros fabricantes estão procurando maneiras de lidar com as pressões da cadeia de suprimentos”.

Esse aumento ajudou a compensar uma queda de 0,7% nos gastos de capital, mas pode indicar um crescimento menor do PIB no trimestre atual, à medida que o crescimento dos estoques esfria.

Tsunoda disse que “é provável que o crescimento seja positivo, mas não é certo que inspire um sentimento de recuperação”. O economista também alertou para o impacto negativo no segundo trimestre em razão das rigorosas medidas contra o coronavírus da China.

“A economia do Japão depende muito das cadeias de suprimentos asiáticas, então os bloqueios da China terão um impacto relativamente grande”, completou.

Consumo interno

A demanda doméstica como um todo contribuiu com 0,3 ponto percentual para os números revisados ​​do PIB, enquanto as exportações líquidas subiram 0,4 ponto percentual.

Conta Corrente do Japão

O superávit em conta corrente do Japão encolheu acentuadamente em abril, uma vez que as importações recordes superaram as exportações, mostraram dados separados na quarta-feira, alimentando algumas preocupações sobre o poder de compra de longo prazo do país em meio ao enfraquecimento do iene.

De acordo com a Reuters, o superávit em conta corrente do Japão ficou em 501 bilhões de ienes (US$ 3,77 bilhões) em abril, mostraram os dados, uma queda de 628 bilhões de ienes em relação ao mesmo mês do ano anterior, mascando o terceiro mês consecutivo de superávit.

Gastos das famílias japonesas

Os gastos das famílias registraram um declínio maior do que o esperado em abril, com o forte enfraquecimento do iene e o aumento dos preços das commodities elevando os custos de varejo.

Dados do governo mostraram que as despesas das famílias no Japão caíram 1,7% em abril em relação ao ano anterior. O resultado é amplamente mais que a previsão do mercado para um declínio de 0,8%.

Previsão de crescimento no segundo trimestre

Economistas consultados pela Reuters preveem forte crescimento anualizado de 4,5% no trimestre de abril a junho. A maioria dos entrevistados disse esperar que o crescimento seja forte o suficiente para que a economia se recupere aos níveis pré-pandemia, embora os riscos estejam crescendo.

== Mundo-Nipo (MN)