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Órgão no Japão insta empresa a não abusar de trabalhadores estrangeiros

Estagiarios vietnamitas em um canteiro de obras em Toquio Ken Kobayashi 900x600 1
©Ken Kobayashi

Iniciativa ocorre após um estagiário vietnamita denunciar abusos no trabalho. Ele sofreu violentas agressões físicas durante 2 anos.

Um órgão de vigilância apoiado pelo governo do Japão instou uma empresa de construção japonesa e um órgão intermediário a tomar medidas para evitar abusos de trabalhadores e estagiários técnicos estrangeiros. O pedido vem após um vietnamita ter sofrido ferimentos graves nas mãos de colegas de trabalho japoneses na empresa, disse o ministro da Justiça, Yoshihisa Furukawa, de acordo com a Kyodo News.

A Organização de Estágios Técnicos vai apurar ainda mais o caso com a possibilidade de que o órgão fiscalizador possa revogar a autorização do órgão para atuar como intermediário entre esses estagiários e as empresas anfitriãs, segundo funcionários do governo.

O estagiário vietnamita foi agredido repetidamente por trabalhadores japoneses da empresa em Okayama, no oeste do Japão, por cerca de dois anos, na qual sofreu ferimentos graves, incluindo ossos quebrados, de acordo com o sindicato que representa o estrangeiro de 41 anos.

“A violação dos direitos humanos nunca deve acontecer”, disse Furukawa em coletiva de imprensa concedida em janeiro.

Mais tarde, o vietnamita, falando a repórteres sob condição de anonimato, disse que não poderia denunciar os abusos à polícia por medo de retaliação.

“O que eu mais temia era não poder mais trabalhar na empresa e ser enviado de volta ao Vietnã”, disse ele em entrevista coletiva virtual no Clube de Correspondentes Estrangeiros do Japão em Tóquio. “Eu estava com muito medo e pânico e não sabia o que fazer”.

Vietnamita E sofreu abusos de colegas de trabalho em uma empresa de construcao em Okayama Foto Kyodo
O vietnamita trabalhou como estagiário técnico em uma empresa de construção em Okayama (E) e Mistugu Muto, presidente do sindicato Fukuyama Union Tampopo, falaram à repórteres em Tóquio | Kyodo

Falando ao lado da vítima, Mitsugu Muto, chefe de um sindicato que o apoia, disse que a polícia está investigando o caso em cooperação com o sindicato.

Mitsugu criticou o governo por responder ao caso “tarde demais” e disse: “Acho que seria uma boa oportunidade para o ministro da Justiça se aprofundar nessa questão e pensar em como esse (todo) sistema de estagiários deve funcionar”.

“Ainda há muito o que fazer”, disse.

A Organização para Treinamento Técnico de Estágio está providenciando para que a vítima vietnamita e seus colegas estrangeiros sejam transferidos para outra empresa para continuar seus estágios.

Segundo Mitsugu, o vietnamita recebeu várias ofertas de empresas que querem aceitá-lo como estagiário.

A Agência de Serviços de Imigração do Japão, o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar e o órgão de vigilância divulgaram um comunicado pedindo às empresas que aceitam estagiários estrangeiros e organizações intermediárias que monitorem o abuso no local de trabalho.

O trainee vietnamita disse que chegou ao Japão no outono de 2019, e as agressões contra ele tiveram início um mês depois de ter começado a trabalhar, o que continuou por aproximadamente dois anos.

Imagens de vídeo mostraram o homem sendo esmurrado, atingido na cabeça e no corpo com uma vassoura, e repreendido por não falar direito o idioma japonês.

Como resultado, o viatnamita está exigindo desculpas e indenização da construtora e do órgão intermediário.

Mitsugu disse que a empresa admitiu o abuso e que vai se desculpar e fazer uma compensação.

O órgão intermediário, também sediado em Okayama, “aceitou de maneira geral” sua responsabilidade no caso e disse que deveria ter evitado que o abuso acontecesse, disse ele.

Programa japonês para estagiários

O Japão estabeleceu o programa de estágio técnico em 1993, com o objetivo de transferir habilidades para países em desenvolvimento.

Apesar de ser uma boa iniciativa, ela tem sido criticada por criar um foco de exploração, sendo acusada de fornecer cobertura para empresas importarem mão de obra barata de outros países, principalmente os asiáticos.

== Mundo-Nipo (MN)

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