Sociedade

Chineses que adotaram japoneses órfãos de guerra são homenageados no Japão

Um monumento foi erguido em homenagem aos chineses que adotaram crianças japonesa deixadas na China após o término da II Guerra Mundial.

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Do Mundo-Nipo

Com a intenção de homenagear os chineses que adotaram crianças japonesas órfãs de guerra, um monumento foi inaugurado durante uma cerimônia realizada na cidade de Kagoshima, no sudeste do Japão, informou nesta quinta-feira (23) a emissora pública ‘NHK’.

O monumento de pedra, localizado no Parque Tenpozan, foi erguido por um grupo de japoneses que viveram na China e voltaram à província de Kagoshima após adultos.

Em discurso, o representante do grupo, Kenichiro Onitsuka, expressou gratidão por seus pais adotivos. Ele destacou que muitas crianças japonesas morreram de fome ou de doença na China, quando foram separadas de seus pais na confusão que se deu logo após o fim da Segunda Guerra Mundial.

“Sobrevivemos graças a casais de chineses que nos adotaram e nos criaram como se fossemos seus próprios filhos”, disse ele emocionado.

Segundo a NHK, cerca de vinte e cinco japoneses que haviam sido deslocados pela guerra vivem em Kagoshima, todos com idades na faixa de 76 anos.

 

Sobre os japoneses órfãos na China

Chegada ao Japão de japoneses órfãos que foram repatriados em 1946 (Foto: Aflo Images/Arquivo)

A foto mostra o momento da chegada ao Japão de alguns poucos japoneses órfãos que foram repatriados em 1946 (Foto: Aflo Images/Arquivo)

Muitas crianças japonesas foram deixadas pelas famílias que foram constituídas por soldados japoneses durante a ocupação japonesa na China, no rescaldo da Segunda Guerra Mundial.

Segundo o governo chinês, cerca de 2.800 crianças japonesas foram deixados para trás no país, de acordo com a Xinhua, agência estatal de notícias da China.

Depois da guerra, 90% delas ficaram no nordeste da China, na então chamada Manchúria (Manchukuo). A maioria foi adotada por famílias rurais chinesas. Em 1980, os órfãos começaram a retornar ao Japão, no entanto, eles sofreram discriminação da sociedade devido, em grande parte, ao desconhecimento da cultura japonesa, que incluía a falta de habilidade com o idioma, o que os levou a enfrentar dificuldades para manter um emprego estável.

Em agosto de 2004, 2.476 órfãos já tinham se estabelecido no Japão, de acordo com os números do Ministério do Trabalho japonês que, por sua vez, passou a auxiliar os órfãos com uma ajuda mensal de 20 a 30 mil ienes.

Entretanto, em 2003, cerca de 600 órfãos entraram com uma ação contra o governo japonês, alegando que o país era o responsável por eles terem sido deixados para trás (na China). Cada autor entrou com um pedido de indenização no valor de 33 milhões de ienes.

Fontes de informação: Agência Xinhua, Agência Kyodo, Jornal The Asahi Shimbun e Rede NHK.

 


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