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Japão une arte e tecnologia para recriar afresco histórico destruído pelo Talibã

O mural em questão fazia parte da caverna que abriga os restos de dois “Budas de Bamiyan”, que foram insanamente “explodidos” em 2001.

Um afresco (pintura em paredes) de valor inestimável que existia no vale Bamiyan, no Afeganistão, foi incrivelmente recriado por um professor de artes na Universidade de Tóquio. O vale Bamiyan é designado como Patrimônio da Humanidade e abriga os restos de duas gigantescas esculturas de Buda que foram destruídas pelo Talibã durante a longa guerra civil no país, um ato que chocou o mundo e provocou uma das maiores perdas na história mundial da arqueologia e das artes.

O responsável pelo fantástico trabalho é Masaaki Miyasako, professor da Universidade de Artes de Tóquio, que usa a mais avançada tecnologia digital combinada com técnicas de pintura japonesa para criar seu próprio método original de recriação de propriedades de valor cultural.

O professor Miyasako conseguiu recriar com perfeição o mural que existia no teto da caverna dos Budas de Bamiyan, na qual o Talibã explodiu, em 2001, os dois maiores exemplares de Budas em pé já esculpidos no mundo.

O afresco reproduzido por Miyasako está sendo exibido em conjunto com a “Exposição de Tesouros Culturais do Afeganistão”, que foi inaugurada ontem (12) no Museu de Artes da Universidade de Tóquio, localizado no Parque de Ueno, na parte leste de Tóquio.

A inédita exposição exibe obras inestimáveis que foram retiradas durante a longa guerra civil no Afeganistão e conservadas em segurança no Japão.

A reprodução do professor Miyasako está sendo exibida na sala principal do Museu, em um espaço que remonta a grande caverna dos Budas de Bamiyan.

Mural de Bamiyan e o professor Masaaki Miyasako (Foto: Reprodução/NHK)

Na recriação do mural de Bamiyan (esq), Miyasako usou como base fotos tiradas na década de 1970 (Foto: Reprodução/NHK)

Budas de Bamiyan
Os Budas de Bamiyan são parte inerente do “Sítio Cultural e Vestígios Arqueológicos do Vale de Bamiyan”, localizado a 240 km de Cabul, no Afeganistão, um local que contém diversos testemunhos culturais do Reino da Báctria, dos séculos I a XIII, nomeadamente da corrente Gandara da arte budista.

As duas gigantescas esculturas de Buda ficam na Rota da Seda, uma rota de caravanas que ligava a China e a Índia. Existiam vários mosteiros budistas e um próspero centro para religião, filosofia e arte Budista. Foi um local religioso Budista do século II, até a época da invasão Islâmica, no século XIX.

Os monges dos mosteiros viviam como eremitas, em pequenas cavernas esculpidas nas laterais das rochas de Bamiyan. Muitos desses monges embelezavam suas cavernas com estatuárias religiosas e produziam afrescos (pinturas em paredes).

As duas estátuas mais proeminentes eram os dois Budas, medindo 55 e 38 metros de altura, os maiores exemplares de Budas em pé esculpidos no mundo.

Até o século VII, ambas as estátuas estavam “decoradas com ouro e pedras preciosas”, de acordo com registros do peregrino chinês budista Hsüan-tsang que viajou pela área por volta de 630.

Em março de 2001, por ordem do governo fundamentalista Talibã, as gigantescas estátuas dos Budas de Bamiyan foram destruídas com explosivos. A maior, com cerca de 55 metros, era o Buda mais alto do mundo. As preciosas estátuas datam do século V, escavadas por monges durante dezenas de anos em nichos na rocha.

Embora as figuras dos dois Budas gigantes estejam quase completamente destruídas, os seus contornos e algumas feições são ainda reconhecíveis entre os restos. É também possível, ainda, explorar as cavernas dos monges e as passagens que as ligam.

A destruição dos Budas de Bamiyan é considerada uma das maiores perdas do mundo da arqueologia e das artes. Muitos criticam a ação da Unesco por só incluir o precioso local em sua lista de Patrimônio Mundial em perigo dois anos depois da destruição, em 2003.

Como parte do esforço internacional para reconstruir o Afeganistão depois da guerra do Talibã, o governo do Japão comprometeu-se a reconstruir os dois Budas gigantes, bem como os afrescos destruídos nas cavernas que os abrigam.

Buda de Bamiyan antes e depois da destruição (Fotoa: Reprodução/Montagem MN)

A foto mostra o antes e o depois de um dos Budas de Bamiyan que foram destruídos pelo Talibã (Fotos: Reprodução/Montagem MN)

Fontes: National Geographic | Discovery Chanel | NHK News.

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