Cultura

‘Uma Família em Tóquio’, do diretor Yoji Yamada, estreia em São Paulo

A obra prima de Yasujiro Ozu recebeu uma nova produção em 2013. Dirigido pelo também gênio Yoji Yamada, o filme acabou por ser indicado a 12 Prêmios da Academia Japonesa de Cinema.

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Do Mundo-Nipo

Aos 82 anos, o diretor japonês Yoji Yamada mantém-se em sua habitual jornada intimista em “Uma família em Tóquio” (2013), em que refilma o mais conhecido trabalho de Yasujiro Ozu (1903-1963), “Era uma vez em Tóquio” (1953), que figurou em terceiro lugar na lista dos melhores 250 filmes de todos os tempos numa recente pesquisa da revista britânica ‘Sight & Sound’, que ouviu 850 críticos de 73 países.

Uma Familia em Tóquio (Foto: Divulgação/Esfera Filmes/Edição Mundo-Nipo)

Uma Família em Tóquio foi indicado a 12 Prêmios da Academia Japonesa de Cinema (Foto: Divulgação/Esfera Filmes/Edição Mundo-Nipo)

 

Conhecido mais como artesão do que como esteta e, por isso, não raro colocado em segundo plano numa avaliação crítica do grande cinema japonês, abaixo de mestres como Akira Kurosawa e Kenji Mizoguchi, Yamada atualiza a obra de Ozu sem traí-la. E o que é melhor, sem tentar imitá-la, por mais que se assemelhem as linhas gerais do enredo.

Ainda que compartilhe com Ozu o apego pelas pessoas comuns, Yamada não procurou, em sua extensa obra, em que se inclui O Samurai do Entardecer (que concorreu ao Oscar em 2004), seguir seu estilo. Yamada corre em faixa própria.

Assim, o diretor é capaz de atualizar, em termos bem contemporâneos, esta que é uma crônica da vida familiar, cujas pequenas hipocrisias são demolidas a partir da visita de um casal de velhos pais interioranos, Tomiko (Kasuko Yoshiuki) e Shukichi (Isao Hashizume), a seus três filhos adultos, moradores de Tóquio.

O mais velho, Koichi (Masahiko Nishimura), é médico, casado e pai de dois filhos. A filha do meio, Shigeko (Tomoko Nakajima), também casada, mantém um salão de cabeleireiros. O caçula, Shoji (Satoshi Tsumabuki), ainda solteiro, sobrevive de trabalhos como freelancer em design de cenários.

Se é verdade que o perfil psicológico dos três filhos corresponde ao filme original, nesta moderna versão a interferência do momento econômico japonês é mais decisiva e pessimista. O diretor inclusive fez questão de introduzir na história menções a três tragédias recentes do país, um terremoto, um tsunami e o vazamento da usina nuclear de Fukushima, que aconteceram no início da produção do filme, em 2011.

Descolando-se do clima contido do filme de 1953, é visível como os atores são mais expansivos em seu comportamento, na medida em que os conflitos vêm à tona, a partir do incômodo que demonstram especialmente os dois irmãos mais velhos em alterar sua rotina para acolher os pais em sua casa.

A direção desses atores de várias gerações é um primor. O elenco inteiro vibra no mesmo diapasão, transmitindo emoções com autenticidade e delicadeza, abrindo caminho para que o filme manifeste seu apelo universal. Famílias são todas iguais, só mudam de sotaque e endereço.

Em tempo: para aqueles interessados em comparar as duas obras, a reestreia, em cópia digitalmente restaurada, de Era uma vez em Tóquio está prevista para o próximo dia 14, no mesmo Cinesesc. O filme, aliás, integra a caixa O Cinema de Ozu, lançada pela Versátil, com cinco títulos do diretor.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb.

 


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