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Adeus à Toyoko Yamasaki, a maior escritora do Japão sobre injustiças sociais

Aos 88 anos, Yamasaki ainda mantinha suas atividades de escritora focada nos problemas sociais, tais como a corrupção e a injustiça social.

Do Mundo-Nipo

Toyoko Yamasaki (Foto: The Asahi Shimbun)

Em agosto deste ano, a incansável escritora havia iniciado um livro serializado, que deixou terminado a primeira parte da história (Foto: The Asahi Shimbun)

Toyoko Yamasaki, falecida na manhã de domingo (29) após sofrer parada cardíaca, aos 88 anos, trabalhou até um mês antes de sua morte. A incansável Yamasaki ainda mantinha suas atividades de escritora focada nos problemas sociais, tais como a corrupção e a injustiça social.

Nascida em 03 de novembro de 1924, em Osaka, no oeste do Japão, Yamasaki, cujo nome verdadeiro era Toyoko Sugimoto, começou a carreira de escritora enquanto ainda trabalhava como jornalista no Mainichi Shimbun, de 1945 a 1959. Seu mentor foi o renomado escritor Yasushi Inoue, que também trabalhou com Yamasaki no Mainichi. Inoe teve grande influência sobre a decisão de Yamasaki em seguir como escritora.

Logo após a publicação de seu segundo livro, “Hana Noren”, Yamasaki ganhou o “Prêmio Naoki”, em 1958. O livro retrata a cultura vibrante do comércio em Osaka antes da Primeira Guerra Mundial. Depois de ganhar o prêmio, ela deixou o jornalismo para dedicar-se somente a carreira de escritora, em 1959.

Muitos de seus livros, escritos ao longo de sete décadas, foram adaptados para filmes e dramas de televisão, incluindo o best-selling “Shiroi Kyoto” (The white tower), que expôs a corrupção em hospitais universitários. Publicado em 1965, “Shiroi Kyoto” foi o livro que alçou Yamasaki a fama internacional.

Entre seus 70 e 80 anos, Yamasaki manteve-se muito produtiva, época em que publicou “A Man of Fate”, em 2009, um extenso livro de quatro volumes, que conta a história de um jornalista envolvido no vazamento de um documento secreto do Ministério das Relações Exteriores.

Yamasaki também escreveu algumas histórias baseadas em fatos reais, com destaque para dois livros: “Futatsu no Sokoku” (Two Homelands), que conta a história da vida de três filhos de imigrantes japoneses nascidos na Califórnia, nos EUA, durante os anos em torno da Segunda Guerra Mundial, e “Shizumanu Taiyo” (The sun that never sets), baseado no acidente do “Voo 123 da Japan Airlines”, o pior acidente aéreo do Japão e um dos mais fatais do planeta, que vitimou 520 pessoas.

A incansável escritora manteve-se ativa até pouco antes de sua morte. Em agosto deste ano, ela começou a trabalhar em um livro serializado sobre um oficial da Força Marítima de Autodefesa do Japão, cujo pai era um oficial da marinha do antigo Exército Imperial Japonês.

A editora de Yamasaki disse que a escritora tinha terminado a primeira parte da história, mas não soube dizer se irá publicá-la.

 

Principais obras:

  • Noren (1957)
  • Hana Noren (1958): livro adaptado para filme, em 1959, e para drama em televisão, em 1995.
  • Nyokei Kazoku (1963): livro adaptado para drama em televisão por oito vezes.
  • Shiroi Kyoto (1965): livro adaptado para filme, em 1966, e apresentado em drama para televisão, em 1979 e 2003.
  • Karei naru Ichizoku (1973): livro adaptado para filme e drama de televisão em 1973. Um remake foi ao ar em 2007.
  • Fumo Chitai (1976): livro adaptado para filme e drama de televisão (data indisponível).
  • Futatsu no Sokoku (data de publicação indisponível): traduzido por V. Dixon Morris como “Two Homelands”, em 1983, e transformado em drama Taiga como Sanga Moyu, em 1984.
  • Daichi no Ko (1991), adaptado para drama de televisão, em 1995.
  • Shizumanu Taiyo (1999): livro adaptado para filme, em 2009.
  • Unmei no hito (2009): livro adaptado para drama de televisão pouco tempo depois de sua publicação.

 

As informações são do jornal ‘Mainichi Shimbun’, jornal ‘Asahi Shimbun’ e da ‘Daito Bunka University and Interpretation’.

 


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