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Robôs passarão a ajudar na construção de arranha-céus no Japão

Robô de construção da Shimizu Corp. | Foto: Reprodução / Shimizu

O setor da construção no Japão é um dos poucos que ainda não receberam ajuda da robótica.

O setor da construção, principalmente o de obras para a execução e projetos de grande porte destinados a infraestrutura como, por exemplo, pontes, viadutos, túneis e, principalmente, arranha-céus é um dos poucos que permaneceram praticamente imunes aos avanços na automação. Isso está se tornando um problema para as empresas de construção no Japão.

A área da construção, que suportou o peso da prolongada escassez de mão de obra no Japão, estima que a situação vai piorar porque pelo menos um milhão de pessoas irão sair ou se aposentar da profissão no decorrer dos próximos dez anos.

A Shimizu, uma empreiteira geral japonesa fundada há mais de 200 anos, está tentando atenuar esse impacto introduzindo robôs que podem soldar vigas, transportar materiais e instalar painéis de teto.

Os robôs industriais estão em todos os lugares nas indústrias, com mais de 2 milhões de unidades operando em chãos de fábricas em todo o mundo. A montagem de carros tem um robô para cada cinco trabalhadores no chão de fábrica, de acordo com a Federação Internacional de Robótica.

As obras apresentam desafios mais difíceis, devido ao fato de que seus ambientes são imprevisíveis e à presença de seres humanos. Os esforços de automação se limitaram à periferia, como o uso de drones para rastrear materiais de construção.

“A maior diferença é que os robôs de fábricas são feitos com a expectativa de que eles permanecerão no mesmo lugar”, disse Masahiro Indo, gerente-geral da divisão de tecnologia de construção da Shimizu. “Queríamos que os braços fossem montados em uma plataforma móvel e a maioria das fabricantes de robôs informou que isso não é possível”.

A empilhadeira automatizada Robo-Carrier, da Shimizu, é equipada com telêmetros a laser para navegar em ambientes, não muito diferente da tecnologia usada em carros autônomos.

A máquina conseguiu manobrar com segurança em uma sala cheia de jornalistas e câmeras de TV durante uma demonstração no centro de pesquisa da empresa, no leste de Tóquio, na segunda-feira. Mas a falta de regulamentos claros limitaria o uso da tecnologia autônoma em obras de construção reais a noites e fins de semana, disse Indo.

Uma máquina que instala painéis de teto, chamada Robo-Buddy, pode suspender 30 quilos de uma vez e ajudar a aliviar parte do trabalho mais pesado da construção. A Shimizu planeja introduzir os robôs em uma obra em Osaka por volta de outubro.

Os robôs economizarão milhares de horas de trabalho humano nas tarefas que executarem, mas isso ainda será uma proporção mínima, representando cerca de 1 por cento do total de um arranha-céu comum, disse Indo.

Máquinas que podem trabalhar em pisos e paredes podem vir em seguida, mas conseguir que essa proporção chegue a 10 por cento é um desafio difícil, porque as partes mais trabalhosas da construção ocorrem dentro do edifício, disse ele.

Avanços recentes na aprendizagem profunda melhoraram a capacidade das máquinas de detectar o ambiente ao redor, abrindo caminho para usos como a navegação em carros autônomos, de acordo com Pham Quang Cuong, professor assistente da faculdade de engenharia mecânica e aeroespacial da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Cingapura.

“Haverá mais automação nos próximos anos, mas a maior parte acontecerá fora do local”, disse ele. “Ainda estamos no começo.”

Da Agência Bloomberg / Tradução Mundo-Nipo.
*Confira, na integra, a matéria da Bloomberg (em inglês).

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