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BC do Japão rebaixa previsão de crescimento regional

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Ressurgimento dos casos de covid e lentidão no consumo doméstico fez o banco central rebaixar a previsão para 8 das 9 regiões do Japão.

O Banco do Japão (BOJ, o banco central japonês) cortou sua perspectiva de crescimento para a maioria das economias regionais do país, informou o site The Japan Times, destacando que o presidente do órgão financeiro, Haruhiko Kuroda, alertou para “incerteza muito alta” sobre as consequências da crise na Ucrânia, ressaltando os riscos crescentes para a recuperação econômica.

Em um relatório trimestral analisando as economias regionais japonesas, o banco central ofereceu uma visão mais sombria do que em janeiro para oito das nove regiões do país, uma vez que o ressurgimento dos casos de Covid-19 e as restrições de oferta persistentes atingiram o crescimento doméstico.

Kuroda disse que a economia nacional continua a se recuperar, mas alertou para as possíveis consequências do aumento dos custos das commodities e da guerra na Ucrânia.

“Há uma incerteza muito alta sobre como os acontecimentos na Ucrânia podem afetar a economia e os preços no Japão”, disse ele em um discurso realizado na reunião dos gerentes de filiais do BOJ.

O relatório regional trimestral estará entre os fatores que o banco central examinará ao divulgar novas projeções trimestrais de crescimento e inflação em sua próxima reunião de política monetária em 27 e 28 de abril.

O presidente do BC japonês também disse que os preços mais altos da energia e os custos das matérias-primas vão acelerar a inflação do Japão nos próximos meses. Segundo ele, o núcleo do índice de preços ao consumidor, que exclui itens voláteis de alimentos frescos, provavelmente aumentará “claramente”.

“À medida que a pressão descendente sobre o consumo de serviços e o impacto da escassez de oferta diminuem, uma recuperação na demanda externa, uma política monetária acomodatícia e o estímulo econômico do governo provavelmente ajudarão a economia japonesa a se recuperar, apesar de ser afetada pelo aumento dos preços das commodities”, acrescentou.

Atualmente, o Japão não possui restrições sanitárias ao Covid-19 após suspender o estado de emergência parcial no mês passado, mas o primeiro-ministro do Japão, Fumio Kishida, alertou recentemente para uma nova escalada de casos de Covid-19, além da confirmação do primeiro caso de XE, uma sublinhagem da variante Ômicron.

A disparada dos preços dos combustíveis e das commodities desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, que começou no final de fevereiro, lançou uma perspectiva sombria sobre o Japão.

O sentimento corporativo, tanto entre grandes fabricantes quanto não fabricantes, piorou pela primeira vez em sete trimestres na pesquisa Tankan mais recente de março.

Forte queda do iene ante o dólar

A rápida desvalorização do iene, especialmente em relação ao dólar, inflacionou os custos de importação, levando alguns executivos a alertar sobre seu impacto negativo na economia.

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No pregão de ontem (11) em Tóquio, a moeda japonesa caiu ao menor nível em mais de 6 anos, cotada a 125,4 ienes por dólar | ©Stockvault

A recente depreciação da moeda japonesa ocorre em meio à perspectiva de trajetórias políticas divergentes para o BOJ, ainda longe de sua meta de inflação de 2%, e o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), que entrou em um ciclo de alta de juros para combater a inflação que se aproximou de 8% em fevereiro.

Kuroda acha improvável que a inflação de commodities leve o BOJ a mudar sua política monetária porque não vai durar muito. Mas ele disse ao Parlamento que a queda do iene foi “um pouco rápida”, em seu mais forte e ainda alerta, desde que caiu ao menor nível, em março, em mais de seis anos, conforme noticiou o Japan Times.

== Mundo-Nipo (MN)
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