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Presidente do comitê dos Jogos de Tóquio se desculpa por comentário sexista

Yoshiro Mori / ©Mainichi/MN

Mori disse que mulheres têm problemas em ser concisas. Ele afirma ainda que é contra a ideia de “mais mulheres em cargos executivos”.

O presidente do comitê organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio, Yoshiro Mori, pediu desculpas pelos comentários sexistas feitos na última quarta-feira, no qual afirmou que mulheres ‘têm dificuldades’ em ser concisas. Contudo, apesar das desculpas,  Mori afirmou que não renunciará ao cargo mesmo depois de ser amplamente criticado.

O pedido de desculpas aconteceu nesta quinta-feira (4), durante coletiva concedida em Tóquio. Mori afirmou que as suas “declarações vão contra o espírito dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos e, portanto, são inapropriadas”.

“Gostaria de retirar tudo o que disse. Mas não tenho a intenção de renunciar”, afirmou o chefe da Olimpíada de Tóquio, de 83 anos, ressaltando seu “sacrifício pessoal durante sete anos” para a organização do evento esportivo.

Yoshiro Mori, que foi primeiro-ministro do Japão entre 2000 e 2001, disse que mulheres “têm dificuldades” em ser concisas e “têm o espírito de competição”. “Se uma levanta a mão [para falar], as outras acham que também devem se expressar. É por isso que todas acabam falando”.

“Se você aumenta o número de membros executivos do sexo feminino, e se seu tempo de palavra não estiver limitado em certa medida, terão dificuldade para terminar, o que é irritante”, afirmou Mori, ao reclamar que “os conselhos de administração com muitas mulheres levam muito tempo”.

O chefe da Olimpíada ainda agradeceu porque, segundo ele, as mulheres do comitê organizador “sabem ficar em seu lugar”.

Mori é contra a ideia de aumentar o número de mulheres em cargos executivos | ©Takashi Aoyama

O Japão ocupa o 121º lugar entre 153 países no ranking de igualdade entre homens e mulheres e o 131º na proporção de mulheres em postos de direção nas empresas, na política e no governo.

Críticas

A declaração de Mori atingiu o primeiro-ministro japonês, Yoshihide Suga, que foi vaiado pela oposição no Parlamento nesta quinta-feira (4) ao dizer que não estava a par dos detalhes do caso.

A ministra japonesa dos Jogos Olímpicos, Seiko Hashimoto, disse que gostaria de ter uma “conversa honesta” com Mori e que a igualdade entre homens e mulheres é um princípio no coração do espírito olímpico.

Um porta-voz do Comitê Olímpico Internacional (COI) considerou que “o caso está encerrado” porque Mori “pediu desculpas”.

Ao ser questionado por um jornalista se pensa que, de maneira geral, as mulheres falam muito, Mori respondeu: “É o que escuto com frequência”.

“Não sei de nada, não falo com frequência com mulheres ultimamente”, afirmou. “Vocês me fazem todas essas perguntas porque querem escrever histórias engraçadas, certo?”.

Mulheres em conselho

Mori afirmou ao jornal Mainichi que falou “sem pensar” e que recebeu broncas da esposa e da filha.

“Estava tentando dizer que questionava a opinião geral de que devemos aumentar o números de mulheres em cargos executivos, mas não queria menosprezar as mulheres”.

A declaração na quarta-feira foi feita para membros do Comitê Olímpico Japonês, que anunciou no ano passado a intenção de ter um conselho de administração integrado por 40% de mulheres, contra 20% atualmente.

Por causa da pandemia do novo coronavírus, os Jogos Olímpicos de Tóquio foram adiados e serão disputados entre 23 de julho e 8 de agosto de 2021. Já os Jogos Paralímpicos acontecerão entre os dias 24 de agosto e 5 de setembro.

Apesar da insistência do primeiro-ministro em realizar os Jogos de Tóquio este ano, extensas pesquisas mostram que maioria dos japoneses defendem que os Jogos sejam cancelados.

== Mundo-Nipo (MN)