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Terremoto na área de Tóquio deixa feridos, causa incêndios e o caos nos transportes

©Kyodo

Houve incêndios em refinarias e em uma residência. Os serviços de trens e fornecimento de água e energia foram fortemente afetados.

Um fortíssimo terremoto sacudiu a região metropolitana de Tóquio na noite de quinta-feira (hora local), ferindo dezenas de pessoas e causando fechamento de rodovias e interrupções nos serviços aéreos e de trens, com algumas áreas tendo seus suprimentos de água e de energia cortados, informou a mídia japonesa.

O sismo registrou magnitude de 5,9 na escala Richter e ocorreu às 22h41 locais de quinta-feira (10h41 no horário de Brasília), com epicentro na cidade de Chiba, cerca de 40 quilômetros a sudeste da capital japonesa, a uma profundidade de aproximadamente 80 quilômetros, informou a Agência Meteorológica do Japão (JMA), acrescentando que não houve risco de tsunami.

O Mapa mostra o local do epicentro e as áreas afetadas / Reprodução/JMA

O bairro de Adachi, em Tóquio, e a cidade de Miyashiro, na província de Saitama, registraram intensidade 5+ (forte) na escala japonesa (Shindo). Essa escala vai de 1 até 7 medindo o nível do tremor na superfície da Terra, enquanto a escala Richter mede a intensidade do abalo no epicentro.

Um terremoto de 5+ graus pode causar danos a edifícios e dificultar o movimento das pessoas que, para se mover, precisam se segurar em algo estável.

A última vez que um terremoto medindo 5 ou mais graus foi registrado em um dos 23 bairros especiais de Tóquio foi em 11 de março de 2011, quando um terremoto de magnitude 9 devastou o nordeste do Japão e desencadeou um grande tsunami, disse a JMA.

Inicialmente, a agência anunciou que a magnitude do terremoto registrava 6,1, mas revisou para 5,9 na manhã de sexta-feira (8), noite de quinta em Brasília.

Depois de um terremoto atingir o nordeste do Japão na última quarta-feira (terça em Brasília), a agência alertou que um sismo de intensidade semelhante poderia ocorrer dentro de uma semana, estimando uma chance de 10 a 20 por cento com base nos tremores anteriores.

Embora a forte sacudida tenha assustado muitas pessoas na região de Tóquio, a agência disse que o último tremor foi menor em escala do que se temia. A previsão  era de que o epicentro seria logo abaixo da área metropolitana de Tóquio e resultaria em devastação em larga escala, podendo ocorrer vítimas fatais, de acordo com a JMA, segundo a Kyodo News.

Dezenas de feridos

Mais de 40 pessoas ficaram feridas em Tóquio e nas prefeituras vizinhas, incluindo uma passageira que caiu e bateu com a cabeça quando um trem parou repentinamente, de acordo com a polícia e os bombeiros locais.

Entre os feridos também estavam três pessoas que caíram quando um trem operado automaticamente descarrilou ligeiramente no bairro Adachi, em Tóquio, logo após o terremoto.

O sistema de transporte de trilhos automatizado Nippori-Toneri Liner, que opera entre a Estação Nippori, em Arakawa, e a Estação Minumadai-shinsuikoen, em Adachi, na capital japonesa, teve um de seus vagões descarrilado em razão do forte tremor, informou a emissora pública NHK .

Incêndios, corte de água e de energia

Um incêndio em uma casa foi relatado na cidade de Soka, em Saitama. Segundo os bombeiros, é possível que o incêndio tenha relação com o terremoto, uma vez que ele começou logo após o sismo.

Uma casa em Soka foi tomada pelo fogo | Reprodução/Kyodo

O terremoto provocou um apagão que afetou cerca de 250 residências na capital japonesa por volta das 23h de quinta (11h em Brasília), mas a energia acabou sendo restaurada.

Houve muitos relatos de canos estourados e cortes no fornecimento de água em Tóquio, disseram as autoridades. Água foi vista jorrando fortemente de uma tubulação que atravessa um rio em Ichihara, na província de Chiba.

Tubulação de agua estourada sobre o rio em Ichihara, em Chiba | Reprodução/Kyodo
Interrupções em rodovias e transportes.

Ainda de acordo com a Kyodo, muitos serviços de trem, incluindo de alta velocidade (trens-bala), bem como linhas de metrô na capital, foram suspensos devido ao tremor. Embora alguns operadores de trens tenham retomado os serviços mais tarde, muitas pessoas afetadas pelos distúrbios fizeram fila para pegar táxis em frente a algumas estações.

Na estação JR Shinagawa, a tripulação de um trem conduziu os passageiros ao redor dos portões de passagens devido a uma paralisação temporária.

Segundo a Kyodo, um total 16 linhas de trem locais foram canceladas ou atrasadas desde a madrugada de quinta-feira até cerca de 15h de sexta-feira (03h em Brasília), afetando cerca de 368.000 pessoas, de acordo com a East Japan Railway.

Muitos passageiros ficaram presos por horas na estação de Omiya, em Saitama | Reprodução/Kyodo

Não houve relatos de danos no aeroporto de Narita, a leste de Tóquio, enquanto as autoridades de transporte disseram que todas as quatro pistas do aeroporto Haneda de Tóquio foram reabertas após verificações após um fechamento temporário.

AInda de acordo com Kyodo, as rodovias da capital e arredores também foram fechadas brevemente para fiscalização, enquanto um incêndio eclodiu em uma refinaria de petróleo em Sodegaura, na província de Chiba, mas foi rapidamente apagado e não deixou feridos. Mas a NHK informou que houve incêndio em outra refinaria na região.

Sequência de terremotos

O terremoto ocorreu um dia depois de outro terremoto de magnitude 5,9 ter atingido o nordeste do Japão na manhã de quarta-feira (data local), deixando pelo menos três feridos nas províncias de Aomori e Iwate.

O primeiro-ministro Fumio Kishida, cujo governo imediatamente criou uma força-tarefa para responder ao terremoto, retornou ao seu escritório menos de uma hora após o terremoto. Ele disse a repórteres que ordenou às autoridades que ajudassem as vítimas do terremoto e evitassem maiores danos.

O principal porta-voz do Japão, o secretário-chefe do gabinete, Hirokazu Matsuno, disse em uma entrevista coletiva que não havia anormalidades relatadas nas instalações nucleares, conforme noticiou a Kyodo.

Algumas rodovias seguem interrompidas

A NHK mostrou um vídeo no Twitter com milhares de pessoas fazendo fila de centenas de metros hoje pela manhã (8) na estação JR Nishikawaguchi, na cidade de Kawaguchi, em Saitama. A fila ia desde a frente da estação até a estrada ao longo dos trilhos da ferrovia.

O motivo do grande número de passageiros é porque ainda há estradas bloqueadas em razão do terremoto de quinta-feira.

Círculo de Fogo do Pacífico

O Japão faz parte do chamado “Anel de Fogo do Pacífico”, uma das zonas sísmicas e vulcânicas mais ativas do mundo, com cerca de 450 vulcões ativos.

O país é responsável por cerca de 20% dos terremotos mundiais de magnitude 6 ou superior, sofrendo terremotos de pequenas e médias magnitudes diariamente.

Mediante isso, o país possui uma infraestrutura desenvolvida para resistir a tremores que poderiam ser fatais em outras partes do mundo.

== Mundo-Nipo (MN)
Fontes: Kyodo News | NHK News | Japan Meteorological Agency.