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Desemprego no Japão atinge maior nível em 3 anos

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Apesar de ficar em 3%, a taxa japonesa é bastante positiva em relação aos outros países desenvolvidos que sofreram com a pandemia.

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A taxa de desemprego no Japão ficou em 3,0% em agosto em comparação com 2,9% em julho, mostraram dados do governo em meio a uma frágil recuperação econômica após a profunda recessão provocada pelo coronavírus.

Divulgado pelo Ministério de Assuntos Internos e Comunicações, o índice em agosto é o mais alto desde o registrado em maio de 2017, quando a leitura ficou em 3,1%. Além disso, o resultado sublinha uma reversão da tendência de baixa apurada por quase uma décadas sob o programa de crescimento econômico do ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, conhecido como Abenomics.

“A pandemia do coronavírus prejudicou setores de serviços, que são empresas intensivas em mão de obra e que forneceram a maior parte do emprego no país”, explicou Hiroshi Watanabe, economista chefe da Sony Financial, ao jornal Nikkei Asia.

“O setor manufatureiro contrata muito menos do que o de serviço”, completou.

Watanabe disse ainda que, mesmo com a recuperação da indústria automobilística com exportações mais fortes, os restaurantes ainda estão lutando, deixando a recuperação no mercado de trabalho fraca”.

Outros dados econômicos, como a pesquisa trimestral denominada Tankan do Banco do Japão, divulgada na última quinta-feira, também ressaltam os ganhos divergentes das indústrias.

Setor de TI em alta

O contraste pode ser observado no setores de TI, que se recuperaram com a crescente demanda por trabalho remoto e tecnologia digital, enquanto as empresas tradicionais têm sofrido com a pandemia, criando assim uma “economia bipolar”.

Porém, uma boa parte desses trabalhadores foram chamados de volta aos seus empregos depois de serem dispensados durante o estado de emergência decretado no país em abril e maio. Mas a recuperação econômica do Japão foi dificultada por uma segunda onda de infecções em julho e agosto.

Recuperação tímida

Os dados de sexta-feira mostram ainda que as pessoas voltaram à força de trabalho pelo quarto mês consecutivo em agosto, mas o mercado de trabalho não está se recuperando tão rápido, resultando em uma pressão ascendente sobre o número de desemprego.

A maioria dos países viu melhorias moderadas em suas taxas de desemprego durante agosto, incluindo Austrália, EUA e Coreia do Sul.

Mas as perspectivas permanecem incertas no Japão, com preocupações persistentes sobre a pandemia, deprimindo o sentimento dos negócios e dos consumidores, bem como prejudicando o turismo.

Como resultado, os consumidores continuam cautelosos com os gastos, apesar do estímulo do governo.

Novo normal exige conhecimento digital

As habilidades necessárias para o “o novo normal” desencadeado pelo coronavírus são muitas vezes diferentes daquelas no período pré-crise. Esse fator é amplamente observado nos trabalhadores com conhecimento digital, que são os mais procurados. Já aqueles com experiência em serviços presenciais, como profissionais de restaurantes, não são, apontou Watanabe.

Muitos dos desempregados são mulheres que ocupavam cargos temporários. Mediante isso, será mais difícil trazer esses trabalhadores para a nova economia digital, sugerindo que “o desemprego mais alto provavelmente persistirá”, disse ele.

O governo introduziu subsídios de proteção ao emprego para incentivar as empresas a reter trabalhadores, especialmente os de tempo integral.

As empresas japonesas geralmente dão mais ênfase à proteção do emprego, em comparação com os pares estrangeiros, embora também tendem a ser mais cautelosas sobre a contratação de novos trabalhadores enquanto a economia se recupera.

Relação oferta e demanda

Dados separados do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar Social do Japão mostraram que a relação entre oferta de emprego e candidato no Japão, um dos principais indicadores do mercado de trabalho, situou-se em 1,04 em agosto, contra 1,08 em julho.

A proporção significa que havia no país 104 vagas de empregos disponíveis para cada 100 pessoas em busca de trabalho no oitavo mês de 2020. A leitura, que é a mais fraca em mais de seis anos, ainda é positiva mesmo com a pandemia afetando fortemente o mercado de trabalho em todo mundo.

Escassez de mão de obra

Apesar da queda na oferta, o país continua lutando com a falta de mão de obra por conta do envelhecimento populacional. Trabalhadores estão em falta para setores como supermercados, asilos e empresas de entrega, embora os demais setores da economia sigam lutando contra as vendas lentas em razão dos efeitos da pandemia.

A escassez crônica de mão de obra mantinha o Japão no mais alto nível de oferta de vagas de emprego, o que pode ser observado nos dois primeiros meses de 2019, quando a proporção de oferta e candidato ficou em 1,63, marcando a maior leitura em quase meio século.

No Brasil

A taxa de desemprego no Brasil aumentou 13,2% na terceira semana de agosto, situando em 14,3% na quarta semana do mês, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Covid (Pnad Covid-19), compilado e divulgado pelo IBGE.

A população desempregada foi estimada em 13,7 milhões de pessoas na quarta semana de agosto, aproximadamente 1,1 milhão a mais do que o registrado na terceira semana do mês, quando somava 12,6 milhões de desempregados.

Em termos de comparação, a taxa do Brasil é quase cinco vezes maior que o índice de 3% registrado no Japão no mesmo período.

O IBGE não forneceu o índice de vagas ofertadas em relação a procura de emprego.

Do Mundo-Nipo (MN)
Fontes: Nikkei Asia | IBGE.

Atualizado em 16/10/2020.

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