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Violência contra crianças atinge nível recorde no Japão; 14ª alta anual seguida

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Mais de 80 mil casos de violência contra crianças foram registrados em 2018 no Japão, um número que contrasta com a baixa taxa de criminalidade no país.

A Agência Nacional de Polícia (NPA, na sigla em inglês) do Japão divulgou nesta quinta-feira (7) um número recorde de violência contra crianças e adolescentes até 18 anos durante o ano de 2018 no país, marcando o 14º aumento anual consecutivo. De acordo com o órgão, 80.104 casos de violência chegaram ao conhecimento dos centros de atendimentos ao menor em todo o Japão no ano passado.

O número recorde representa um aumento de 22,4% em relação ao ano anterior e é o maior já registrado no país desde que a agência começou a compilar os dados, em 2004.

O relatório da NPA mostra que o número de crianças que sofreram abuso psicológico, como agressão verbal e exposição à violência doméstica, chegou a 57.326 casos, ou seja, mais de 71% do total.

Já os números para agressão física direta, que deixa ou não marcas no corpo do menor, somaram 14.821 casos, enquanto o número de denúncias por negligência totalizou 7.699 registros. Esses casos incluem maus tratos como deixar a criança passar fome, não cuidar quando adoecem, deixar trancados e/ou sozinhos em casa, entre outros.

Registros relativos a abuso sexual infantil também atingiram recorde no ano passado. De acordo com ANP, a polícia relatou que foram atendidas 258 ocorrências envolvendo crianças e adolescentes que foram expostos a abusos, que inclui violência sexual direta e exploração sexual com ou sem vantagem financeira.

O relatório mostra ainda que um total de 1.355 pessoas foram presas, entre pais e responsáveis. As acusações incluem incentivo ao suicídio e assassinato de recém-nascido.

A violência contra crianças, adolescentes e idosos tem um triste fator em comum, visto que é em sua maioria cometida por pessoas próximas, tais como pais, tios, filhos, padrastos, amigos, entre outros.

Um dos efeitos dessa realidade é a subnotificação dos casos, ou seja, a vítima tem dificuldades de denunciar os maus tratos que sofre, geralmente por medo ou vergonha.

Mediante isso, a ANP acredita que o número de menores que sofrem violência no país é bem maior do que os registrados, estimando que mais de 50% dos adolescentes não relatam os abusos. A porcentagem de subnotificação estimada para crianças é quase o dobro.

A polícia prometeu trabalhar em estreita colaboração com os centros de assistência ao menor para detectar abusos precoces.

Contudo, o Instituto de Pesquisa da Criança e da Família, um órgão adjunto do Ministério as Saúde, explicou que “respostas ativas para a violência contra menores, bem como o abuso infantil, é um fator significativo por trás do aumento dos casos relatados”.

O órgão afirmou que a ampla cobertura da mídia ajudou a aumentar a consciência pública sobre a violência contra crianças no país, o que tem impulsionado mais pessoas a entrar em contato com as autoridades sobre casos suspeitos, o que inclui vizinhos, amigos, colegas de escola e professores das vítimas.

Do MN – Mundo-Nipo
Fontes: Asahi Shimbun| Mainichi.