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Grupo no Japão protesta contra parlamentar por declaração anti-LGBT

Foto: Arquivo / Mainichi

Deputada Mio Sugita disse que minorias sexuais não são produtivas por não poder gerar filhos.

Um grupo representante de pessoas com necessidades especiais e doenças graves protestou veementemente nesta terça-feira contra as declarações anti-LGBT de uma parlamentar do Partido Liberal Democrático, a maior sigla da aliança governista do país. A deputada Mio Sugita, da Câmara Baixa, disse que as minorias sexuais não são produtivas por não poder gerar filhos.

O grupo convocou nesta manhã uma coletiva de imprensa em Tóquio. A iniciativa foi tomada em resposta a um artigo publicado pela parlamentar em uma revista no mês passado.

Falando pelo grupo, um representante alertou que “pessoas não devem ser julgadas de acordo com a sua capacidade reprodutiva e que não se pode permitir a divulgação de ideias ‘discriminatórias’ como as de Sugita”.

O escritório da parlamentar se recusou a tecer comentários sobre a coletiva de hoje.

Artigo anti-LGBT de Mio Sugita
O polêmico artigo de Sugita foi publicado na última edição da revista conservadora Shincho 45. Nele, a parlamentar argumentou que não há justificativa para os esforços do Estado e dos municípios em investir o dinheiro dos contribuintes em políticas que apoiem ​​casais do mesmo sexo, visto que “esses homens e mulheres não têm filhos”, afirmou ela, acrescentando que, “em outras palavras, casais LGBT são improdutivos”.

Entre outras alegações anti-LGBT no artigo, Sugita relembra sua adolescência, na qual ela disse que passou a maior parte cercada por colegas de classe em um sistema escolar só de garotas.

“Em tal ambiente, não era incomum que as garotas fantasiassem em se envolver romanticamente umas com as outras”, escreveu ela. “Mas elas viriam a superar essa fase, passando a ter vidas “normais” após se casarem com “maridos”, escreveu Sugita no artigo.

“Uma sociedade privada de ‘bom senso’ e ‘normalidade’ está destinada a perder a ‘ordem’ e eventualmente desmoronar. Eu não quero que o Japão seja uma sociedade como essa ”, concluiu ela em seu artigo de quatro páginas.

O artigo provocou uma forte reação da comunidade LGBT do país, que rapidamente protestou contra o texto de Sugita.

Taiga Ishikawa – um dos primeiros políticos abertamente homossexuais do Japão – disse que, uma vez que Sugita é membro do partido governista, os comentários dela “mancham significativamente a reputação do Japão” antes das Olimpíadas de 2020.

“A homossexualidade não é definição de infelicidade”, disse ele em referência a um trecho no artigo. “São observações discriminatórias como as de Sugita que nos fazem infelizes”, concluiu Ishikawa.

Do Mundo-Nipo
Fonte: NHK World News Online | The Japan Times.