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Economia do Japão recua ao pior nível desde 1955

©Kim Kyung-Hoon

Japão sofre a pior recessão no pós-guerra, o que pode forçar o novo premiê a impulsionar ainda mais os já maciços estímulos.

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A economia do Japão encolheu mais do que inicialmente estimado no segundo trimestre, marcando sua pior contração pós-guerra, à medida que os gastos de capital foram fortemente atingidos pela crise do coronavírus, destacando o desafio que o próximo primeiro-ministro enfrentará para evitar uma recessão mais profunda, informou o jornal The Japan Times.

O Produto Interno Bruto (PIB) do Japão sofreu forte retração de 28,1% entre abril e junho na comparação com o mesmo período do ano passado, mais do que a leitura preliminar de uma contração de 27,8%, mostraram os dados revisados, divulgados ontem (8), pelo Escritório Gabinete Japonês.

A leitura pessimista coloca o novo primeiro-ministro, a ser eleito na disputa da liderança do partido governista em 14 de setembro, sob pressão para adotar medidas mais ousadas de suporte econômico.

O chefe de gabinete, Yoshihide Suga, que lidera a disputa para se tornar o próximo premiê, já sinalizou sua prontidão para aumentar os gastos se passar a liderar o país.

“O risco à frente é de que os efeitos das medidas adotadas até agora, como pagamentos a famílias, acabem”, disse Koichi Fujishiro, economista do Instituto de Pesquisa da Vida Dai-ichi.

Até agora, o governo adotou um pacote de medidas de estímulo de US$ 2 trilhões, somando-se a um programa de afrouxamento monetário pelo Banco do Japão (BOJ, o banco central japonês).

O principal culpado da revisão para baixo do Produto Interno Bruto foi a queda de 4,7% nos gastos de capital, contra preliminar de recuo de 1,5%, sugerindo que a pandemia está afetando setores mais amplos da economia.

Desafios do novo primeiro-ministro

A confirmação da maior queda do PIB do Japão já registra desde 1955, quando os valores de referência tornaram-se disponíveis, ocorre quando o partido governista se prepara para escolher um novo primeiro-ministro após a repentina renúncia de Shinzo Abe, o primeiro-ministro que mais mais tempo liderou o país.

Yoshihide Suga | ©Asian Nikkei

Contudo, o provável sucessor de Abe, assessor de longa data Yoshihide Suga, enfrentará o difícil ato de equilíbrio de tentar conter a pandemia do coronavírus sem sufocar a economia.

“O próximo primeiro-ministro terá que definir medidas contra o coronavírus como a primeira prioridade”, disse o economista Masaki Kuwahara, da Nomura Securities.

“A economia deve ter uma recuperação de dois dígitos, mas o ritmo de recuperação será lento”, disse.

Avaliação econômica do Banco do Japão

O Banco do Japão deve elevar sua avaliação econômica na reunião da próxima semana para indicar que a recessão do Japão atingiu o fundo do poço, sem expressar otimismo sobre as perspectivas.

Ainda assim, autoridades do BC japonês veem pouca necessidade de novas ações políticas agora, uma vez que os mercados financeiros estão estáveis ​​e as empresas têm acesso ao crédito, disseram à agência Reuters fontes ligadas ao órgão monetário.

Suga seria uma escolha de continuidade. Ele quer seguir o caminho da Abenomics, que inclui estímulo monetário maciço e uma abordagem de gastos flexível, mas também tomaria mais medidas se necessário para salvar empregos, disseram.

Analistas veem a economia japonesa se recuperando em cerca de 13% no trimestre de julho a setembro, o que não é suficiente para compensar três trimestres consecutivos de contração. Eles creem ainda que levará alguns anos para que a economia volte ao nível pré-pandêmico.

Do Mundo-Nipo (MN)
Fonte principal: The Japan Time.

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