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Suicídio entre crianças e adolescentes no Japão atinge maior nível em 30 anos

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O número “assustador” divulgado este ano é cinco vezes maior que o registrado um ano antes.

Atualizado em 13/11/2018


O número de suicídios entre crianças e adolescentes no Japão atingiu o maior nível em três décadas, informou o Ministério da Educação do país, confirmando que o país possuiu uma das maiores taxas de suicídio do mundo entre os jovens.

De acordo com os dados do ministério divulgados na quarta-feira (7), um total de 250 jovens do ensino fundamental ao ensino médio tiraram suas próprias vidas entre abril de 2016 e março de 2017. O número é o maior desde 1986, e cinco vezes mais alto do que no ano passado.

“O número de suicídios de estudantes permanece alto e isso é um assunto alarmante que deve ser abordado”, afirmou o ministro da Educação do Japão, Noriaki Kitazaki, na divulgação dos novos dados.

As principais preocupações relatadas pelas crianças e adolescentes que se suicidaram em 2017 incluem problemas familiares, dúvidas sobre o futuro e bullying. Contudo, mais da metade das mortes – cerca de 140 suicídios – tem causas desconhecidas, uma vez que os estudantes não deixaram uma carta com possíveis explicações.

Uma das preocupações das autoridades japonesas é a influência do ambiente escolar. A maioria deles estava no ensino médio, cursado normalmente entre os 15 e 18 anos de idade.

O Japão tem uma das maiores taxas de suicídio do mundo. Em 2015, esse índice alcançou um de seus picos. No mesmo ano, o governo japonês divulgou um relatório sobre suicídio de adolescentes no país entre 1972 e 2013, no qual revelou um pico massivo de suicídios no início do segundo semestre escolar, geralmente nos primeiros dias de setembro.

Desde então, conforme medidas preventivas foram sendo introduzidas, os números na população geral – e não considerando-se apenas os jovens – caíram significativamente, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). No total, os suicídios em todo o Japão recuou para cerca de 21 mil em 2017, segundo a polícia, contra um pico de 34,5 mil em 2003.

Entretanto, as taxas de suicídio entre adolescentes só crescem, tornando-se a principal causa de morte entre os jovens no país.

Para enfrentar o problema, a Organização Mundial da Saúde orienta que haja coordenação e colaboração entre múltiplos setores da sociedade, “já que não há uma abordagem única que possa impactar por si só a questão”.

Entre as recomendações do órgão estão políticas para reduzir o uso de álcool e intervenções estruturais em locais como pontes ou estações, que possam virar locais de suicídio.

Além disso, neurologistas já observaram que, até por volta dos 25 anos de idade, há uma disparidade no desenvolvimento do cérebro. Algumas regiões cerebrais responsáveis pelos sentimentos amadurecem mais rápido que áreas que fazem uma regulação emocional e de impulsos.

“Isso significa que (nesse período) há um risco aumentado para excessos emocionais acompanhado de pouco poder de discernimento”, explica Timothy Wilens, psiquiatra infantil no Massachusetts General Hospital (EUA), em artigo publicado no periódico Journal of the American Academy of Child and Adolescent Psychiatry.

Twenge recomenda observar “o modo como adolescentes passam seu tempo” e estimular mais interações interpessoais do que virtuais nessa fase.

Procurar ajuda
Se você se sente profundamente angustiado de alguma forma em relação à vida, entre em contato com o Centro de Valorização da Vida pelo telefone 188 ou clique aqui.

Mundo-Nipo
Fontes: BBC News | O Globo Online.

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