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Japão marca 9 anos do desastre de março de 2011, mas não realiza cerimônia

©Kyodo

Celebrações e vigílias oficiais em homenagem às vítimas foram canceladas por causa dos temores sobre a disseminação do coronavírus.

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O Japão lembrou nesta quarta-feira (11) o nono aniversário do terrível desastre provocado pelo poderoso terremoto e tsunami em março de 2011. No entanto, as celebrações e vigílias oficiais em homenagem às milhares de vítimas foram canceladas por causa dos temores sobre a disseminação do novo coronavírus.

O terremoto e o tsunami ocorrido em 11 de março de 2011, que quase devastaram o nordeste japonês, provocaram o pior acidente nuclear desde Chernobyl na usina atômica Fukushima-Daiichi, da companhia Tokyo Electric Power (Tecpo), localizada a 220 quilômetros a nordeste de Tóquio.

Os desastres naturais e o colapso da fábrica de Fukushima forçaram centenas de milhares de moradores a deixarem suas casas e, consequentemente, suas cidades.

O secretário-chefe do Gabinete do Japão, Yoshihide Suga, elogiou nesta quarta-feira os esforços de recuperação em andamento no nordeste do Japão, mas reconheceu os desafios que ainda existem na prestação de cuidados psicológicos e outros serviços aos evacuados.

O primeiro-ministro Shinzo Abe realizou uma pequena cerimônia memorial à tarde, quando dedicou um minuto de silêncio no momento em que ocorreu o fatídico desastre de 2011.

“Acho que havia outras maneiras de lidar (com o memorial)”, disse Natsumi Hoshi, 42 anos, moradora de Tóquio, que estava entre um grupo de pessoas reunidas em um parque da cidade para colocar flores. “Creio que as pessoas ainda estão sofrendo”, disse ele.

Apesar dos muitos sinais de recuperação no nordeste do Japão, alguns moradores ainda não conseguem morar nas áreas mais próximas à fábrica de Fukushima. Os níveis de radiação nessas áreas permanecem altos, apesar dos esforços repetidos de descontaminação.

“Penso que a memória (do desastre) está desaparecendo”, disse Masahiko Sano, dono de uma empresa de 47 anos, que também participou do evento no parque.

Monge rezou em frente a um memorial em Sendai | Foto: ©Kyodo

O governo cancelou um evento memorial que estava marcado para quarta-feira, quando o Japão procurou conter um surto crescente de coronavírus (covid-2019). O país fechou escolas, parques temáticos e zoológicos, como parte de seu esforço mais amplo para reduzir eventos públicos e reuniões de massa para retardar a transmissão do vírus.

O Japão tem quase 1.300 casos, incluindo cerca de 700 do navio Diamond Princess que foi colocado em quarentena perto de Tóquio no mês passado. O vírus infectou mais de 111.000 pessoas e matou mais de 4.000 em todo o mundo.

Desastre de 2011

De acordo com a Kyodo News, o terremoto e tsunami em 11 de março deixaram 15.899 pessoas mortas e 2.529 desaparecidas, principalmente nas prefeituras de Fukushima, Iwate e Miyagi, segundo a Agência Nacional de Polícia do Japão.

Quase um quarto dos que morreram de doença ou estresse relacionados aos desastres nas três prefeituras eram pessoas com deficiência, mostrou uma recente pesquisa da Kyodo News.

Outra pesquisa realizada pela Kyodo constatou que pelo menos 242 moradores de moradias públicas nas três prefeituras haviam morrido sozinhos, revelando a necessidade de desenvolver redes para apoiar idosos residentes e impedir que eles fiquem isolados.

Daqueles que vivem em habitações públicas nas três prefeituras, cerca de 30% têm 65 anos ou mais e vivem sozinhos.

Mundo-Nipo (MN)
Fontes: Estadão Internacional | Kyodo News

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