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Nelson Teich pede demissão do cargo de ministro da Saúde

Foto: C. Commons / Marcos Corrêa

O pedido de demissão ocorre a menos de um mês depois de assumir a pasta da Saúde no governo do presidente Jair Bolsonaro

O oncologista Nelson Teich pediu exoneração do cargo de chefia do Ministério da Saúde nesta sexta-feira (15), uma decisão que ocorre a apenas um mês depois de assumir o cargo no governo do presidente Jair Bolsonaro.

Teich deixa a pasta após sofrer pressão do presidente para apoiar o uso do fármaco cloroquina para tratamento de pacientes com Covid-19. A droga, no entanto, não tem eficácia comprovada para o novo coronavírus.

Na quinta-feira (14), Bolsonaro havia dito que iria “exigir” do ministério a adoção de um novo protocolo indicando o uso da cloroquina para pacientes em estágio inicial da doença.

Bolsonaro vem promovendo a cloroquina como “salvação” contra o coronavírus desde o início da crise, mas diversos estudos nacionais e internacionais mostram que o uso do remédio não diminui o número de mortes ou de internações por covid-19 e pode ter efeitos colaterais muito prejudiciais.

Teich havia assumido a pasta em 17 de abril, após a demissão do então ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), que saiu após conflitos com Bolsonaro.

Ao assumir, Teich disse que existia um “alinhamento completo” entre ele e Bolsonaro e que não haveria mudanças radicais na política adotada até então.

A “sintonia” entre o presidente o ministro, no entanto, não durou muito tempo. As divergências começaram a aparecer nesta semana. Na segunda, Teich descobriu pela imprensa que o presidente havia incluído salões de beleza e academias entre “serviços essenciais” autorizados a funcionar durante a epidemia — a decisão, publicada em um decreto, não passou pelo aval do ministro.

A pressão pela mudança dos protocolos sobre a cloroquina foi o mais recente desentendimento.

Minutos depois do anúncio da demissão do ministro da Saúde, o seu antecessor no cargo, Luiz Henrique Mandetta, reagiu à notícia no Twitter: “Oremos. Força SUS. Ciência. Paciência. Fé!” Mandetta incluiu no tuíte a #ficaemcasa. Ao deixar o ministério em meados de abril, ele admitiu que a sua defesa da estratégia de isolamento social foi um dos motivos que levaram o presidente Bolsonaro a demiti-lo.

O ex-ministro Sergio Moro, que também acabou de deixar o governo, comentou no Twitter: “Cenário difícil, em plena pandemia, 13993 mortes até ontem. Números crescentes a cada dia. Cuide-se e cuide dos outros.”

Nelson Teich
Nelson Teich | Foto: Marcos Corrêa/PR

Nascido no Rio de Janeiro, Nelson Luiz Sperle Teich se formou pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e se especializou em oncologia no Instituto Nacional de Câncer (Inca). Atualmente, é sócio da Teich Health Care, uma consultoria de serviços médicos.

Teich atuou como consultor informal na campanha eleitoral do presidente, em 2018, e, na época, até chegou a ser cotado para o cargo, mas acabou preterido por Mandetta.

Ainda assim, participou do governo, entre setembro de 2019 e janeiro de 2020, como assessor de Denizar Vianna, secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde.

Ele também foi sócio no MDI Instituto de Educação e Pesquisa. A empresa de pesquisa e desenvolvimento experimental em ciências sociais, humanas, físicas e naturais e treinamento em desenvolvimento profissional e gerencial.

Em 1990, fundou o Grupo Clínicas Oncológicas Integradas (COI), sendo seu presidente até 2018 — em 2015, a empresa foi comprada pela UHG/Amil.

O oncologista também foi fundador do COI Instituto de Gestão, Educação e Pesquisa, organização sem fins lucrativos criada em 2009 para a realização de pesquisas clínicas e projetos e execução de programas de treinamento e educação em diversas áreas do cuidado do câncer, e, em 2016, do Medinsight – Decisões em Saúde, empresa de pesquisa e consultoria em economia da saúde.

Teich, que além de oncologista é doutor em Ciências da Saúde – Economia da Saúde pela Universidade de York, do Reino Unido, prestou consultoria nesta área no Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, entre 2010 e 2011.

“O Nelson é dos principais oncologistas do país e é um grande empresário, empreendedor e gestor de saúde. Seu momento atual é de dedicação a causas públicas”, diz Angélica Nogueira, diretora da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC). A médica enfatiza que ele é muito técnico, científico e um exímio negociador.

Com a BBC News.