Pela primeira vez, ministro do Japão pede licença-paternidade

Shinjiro Koizumi, de 38 anos, é favorito para suceder o primeiro-ministro Shinzo Abe. Sua decisão de licença-paternidade é aclamada como progressista.
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Shinjiro Koizumi | Foto: Yuki Nakao

O ministro do Meio Ambiente do Japão, Shinjiro Koizumi, será o primeiro membro do governo japonês a tirar licença-paternidade, uma decisão aclamada como progressista, visto que a licença parental do Japão está entre as mais generosas do mundo, mas raramente é usada pelos homens.

A iniciativa histórica elevou ainda mais o conceito de Koizumi, isso porque ele é o favorito dos eleitores para suceder o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe.

Koizumi, de 38 anos, disse em conferência de imprensa na quarta-feira (15) que vai tirar duas semanas de licença-paternidade no prazo de três meses, para que não interfira em seus deveres ministeriais. O filho do ministro deve nascer neste mês, segundo informações da mídia local.

A decisão de um dos membros mais jovens na história do gabinete do país poderia contribuir para a iniciativa do Japão de incentivar mais homens a tirar licença-paternidade e, assim, dividir as responsabilidades entre membros da família.

Constituída de muitos benefícios e, portanto, considerada uma das mais generosa do mundo desenvolvido, a licença parental no Japão, contudo, é muito raramente solicitada pelos trabalhadores homens no país.

Em conferência de imprensa, o porta-voz do governo e chefe de gabinete, Yoshihide Suga, disse que sua expectativa é que a licença de Koizumi incentive outros homens a seguir o exemplo.

“A atmosfera precisa ser mudada, não apenas o sistema. Caso contrário, o número de funcionários públicos que tiram licença-paternidade não aumentará”, afirmou Koizumi.

Pai importante e casamento badalado

Filho de um carismático ex-primeiro-ministro, Koizumi atraiu intensa cobertura da mídia desde que anunciou seu casamento com uma conhecida apresentadora de TV e foi nomeado ministro do gabinete no ano passado.

Ele criticou abertamente o estigma em torno da licença-paternidade, classificando o burburinho sobre sua decisão como um sinal de que o Japão é “rígido e antiquado”.

Os pais podem tirar até um ano de licença-paternidade, mas ficar longe por tanto tempo para cuidar dos filhos é visto como tabu. Apenas 6% dos pais tiram licença-paternidade e, entre os que o fazem, cerca de 60% estão de volta às mesas de trabalho dentro de duas semanas, segundo o Ministério da Saúde.

Por outro lado, mais de 80% das mulheres que trabalham e têm um filho pedem licença-maternidade, e a maioria delas retorna apenas entre 10 a 18 meses depois, o que resulta em um grande problema para um país que tenta evitar uma crise demográfica ao mesmo tempo em que mantém mulheres na força de trabalho para compensar o envelhecimento da população.

Pessoas com 65 ou mais correspondem a mais de 28% da população japonesa, estimada em 125 milhões. Essa parcela deve subir para mais de 38% até 2065, enquanto a população seguirá em declínio, segundo estimativas do governo.

Da Agência Bloomberg / Tradução e edição do Mundo-Nipo.com (MN).

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