ONU pede ao Japão para garantir segurança durante limpeza de Fukushima

Entre os contratados para descontaminar Fukushima há imigrantes, idosos e desabrigados.
Trabalhadores na Usina de Fukushima Foto Kyodo 900x600 26 04 2016
©Kyodo

Especialistas em direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) disseram que o Japão precisa agir com urgência para proteger dezenas de milhares de pessoas que estão limpando a danificada usina nuclear Fukushima Daiichi, em Fukushima, da exploração e da exposição à radiação que foram relatadas, informou nesta quinta-feira (16) a agência ‘Reuters’.

A Companhia de Energia Elétrica de Tóquio (Tepco, na sigla em inglês), proprietária da usina nuclear atingida por um tsunami que provocou vazamentos em 2011, vem sendo amplamente criticada pelo tratamento dispensado a seus funcionários e pela maneira como realiza a limpeza, que deve levar décadas.

Uma investigação de 2013 da agência Reuters revelou violações trabalhistas generalizadas. Funcionários disseram que seus salários estavam sofrendo cortes e denunciaram a pouca supervisão das condições de trabalho. À época, a Tepco disse que estava adotando medidas para limitar os abusos.

Três especialistas da ONU que se reportam ao Conselho de Direitos Humanos da organização disseram em um comunicado divulgado em Genebra que a exposição à radiação continua sendo um grande perigo para os funcionários que tentam limpar o local, e que estes ainda correm o risco de serem explorados.

“Segundo relatos, entre os funcionários contratados para descontaminar Fukushima há imigrantes, postulantes a asilo e desabrigados”, disseram Baskut Tuncak, especialista em substâncias perigosas, Dainius Puras, especialista em saúde, e Urmila Bhoola, especialista em escravidão contemporânea.

“Estamos profundamente preocupados com a exploração relacionada aos riscos de exposição à radiação, possível coerção para se aceitar condições de trabalho perigosas por causa de dificuldades econômicas e a adequação de medidas de treinamento e proteção”, disseram.

O porta-voz da Tepco e uma autoridade do Ministério de Relações Exteriores disseram não poder comentar o comunicado de imediato.

Milhares de pessoas seguem afastadas de seus lares em Fukushima
As emissões e vazamentos radioativos que resultaram do desastre na central de Fukushima Daiichi, ainda mantêm evacuadas milhares de pessoas que viviam próximo da usina e afetaram negativamente a agricultura, pecuária e pesca local.

O acidente em Fukushima gerou a pior crise nuclear mundial desde a ocorrida na central de Chernobyl, ou Chernobil, na Ucrânia, em 1986. Os altos níveis de radiação deixaram grande parte da região inabitável até os dias atuais.

Fontes: Reuters | Kyodo.

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