Entregadores do Uber Eats no Japão criam 1º sindicato da classe no mundo

O novo sindicato busca por maior segurança e estabilidade para os trabalhadores do setor. Há cerca de 15 mil entregadores do Uber Eats no Japão.
Entregador de Uber Eats no Japao Foto Justin Wong
Foto: Justin Wong

Uma nova classe trabalhadora surgiu a pouco tempo após a criação de aplicativos de delivery, e a necessidade da mobilidade urbana e outros serviços, cuja categorização gera debate entre reguladores. Mediante falta se segurança no trabalho, os entregadores do Uber Eats no Japão saíram na frente de outros países e decidiram agir em conjunto para criar o primeiro sindicato da classe no mundo.

Já no Brasil, o STJ decidiu que motoristas não têm vínculo empregatício com a Uber. Na Califórnia, estado norte-americano onde a empresa nasceu, a decisão das autoridades foi oposta.

A sindicalização de entregadores no Japão foi oficializada no início de outubro.

“Gostaríamos de melhorar o ambiente de trabalho da equipe de entrega do Uber Eats por meio de negociações”, disse Tomio Maeba, presidente do sindicato, 29 anos, em entrevista coletiva em Tóquio.

A iniciativa contou com 17 entregadores como membros fundadores, segundo reportagem local.

Segundo Maeba, a prioridade do sindicato é buscar maior segurança e estabilidade para os trabalhadores. Há cerca de 15 mil entregadores do Uber Eats no Japão. Em resposta à união, a Uber prometeu, no país, um programa de seguros em casos de acidente de até US$ 93 mil.

Nem a decisão do Estado da Califórnia em considerar os trabalhadores como empregados vinculados nem o recém-criado sindicato japonês parecem obstruir o modelo de negócio do Uber. Uma prova disso é que a startup criou o Uber Works, plataforma que agrega trabalhadores de qualquer setor sob o mesmo tipo de contratação que os motoristas e entregadores.

Jason Jackson, professor de planejamento urbano do MIT (Massachusetts Institute of Technology), falou sobre mobilidade urbana no evento Future of Work, realizado em São Paulo, em agosto.

Segundo o especialista, plataformas como Uber, 99 e Lyft prosperaram durante crises de desemprego, nos EUA a partir de 2009, e no Brasil em 2014.

Naturalmente, com menos empregos, as pessoas recorrem com maior frequência a atividades criadas pela nova economia, como é o caso do motorista de aplicativo. Se, por um lado, estes serviços garantam no mínimo uma subsistência a muitas pessoas, por outro, criam uma nova classe que não se encaixa exatamente em nenhuma categoria trabalhista.

“A realidade em diversas cidades é que os ganhos e a qualidade do trabalho dos motoristas de aplicativos são precários”, analisa Jackson.

Por João Ortega / Da StartSe

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