O dólar anulou a queda vista pela manhã e fechou em alta ante o real nesta sexta-feira (16), encostando em R$ 3,40, com o mercado local seguindo o movimento externo e mantendo o comportamento visto na véspera após o aperto monetário nos Estados Unidos, e com os investidores ainda atentos ao conturbado cenário político no Brasil.
A moda norte-americana subiu 0,57%, cotada a R$ 3,3906 na venda, após ter saltado 1,14% na véspera. Trata-se da terceira alta consecutiva a moeda ante o real.
Na mínima da sessão, o dólar chegou a R$ 3,3432, num movimento de correção, enquanto atingiu R$ 3,4129 na máxima das negociações.
Como resultado, o dólar encerrou a semana com alta acumulada de 0,52%, depois de ter acumulado perdas de 2,87% na semana anterior. No mês, acumula alta de 0,1% e, no ano, desvalorização de 14,12%.
Cenário externo
“É uma sexta-feira um pouco mais pacata e o dólar voltou a ficar pressionado lá fora. O comunicado do Fed mudou um pouco o paradigma do mercado, empurrou o dólar mais para cima”, afirmou o operador de um banco nacional à agência de notícias ‘Reuters’
No final da tarde de quarta-feira passada, o Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) elevou a taxa de juros em 0,25 ponto percentual e sinalizou ritmo mais rápido de altas em 2017, em meio a promessas do presidente eleito Donald Trump de impulsionar o crescimento por meio de cortes de impostos, aumento de gastos e desregulamentação.
A chair do Fed, Janet Yellen, disse a eleição de Trump colocou o Fed sob uma “nuvem de incerteza” e levou algumas autoridades a mudar sua visão sobre o que está por vir. O banco central do país vê agora três aumentos da taxa de juros em 2017 em vez de dois como previsto em setembro.
Juros mais altos nos Estados Unidos tendem a atrair recursos aplicados atualmente em outros mercados, como o brasileiro.
Cenário local
Internamente, os investidores também têm preferido focar no andamento das medidas de ajuste no Congresso, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita o crescimento do gasto público por 20 anos e foi aprovada, mas a cautela continuava em meio ao nervosismo com denúncias envolvendo até mesmo o presidente Michel Temer.
“O sentimento de que o governo brasileiro vem conseguindo aprovar medidas no Congresso, mesmo em meio às turbulências, contribui para o recuo da moeda (norte-americana)”, comentou mais cedo o operador da Advanced Corretora, Alessandro Faganello.
Nesta sexta-feira, a Folha de S.Paulo noticiou que um ex-executivo da Odebrecht disse em delação à força-tarefa da operação Lava Jato que Temer participou de um encontro para tratar de doações da empreiteira para campanha do PMDB em 2010 em troca de facilitar a atuação da empresas em projetos da Petrobras.
Como pano de fundo do mercado, profissionais chamaram a atenção para a perda de fôlego dos mercados daqui para a frente, já com muitos investidores entrando de férias, o que deve enxugar consideravelmente o volume até o final do ano.
Atuação do Banco Central no câmbio
Pela terceira vez seguida, o Banco Central brasileiro não anunciou nenhuma intervenção no mercado de câmbio até o momento.
(Com Agência Reuters)
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