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Japão terá porta-aviões e 105 novos caças após aprovação de defesa trilionária

Caça Lockheed Martin F-35B | Foto: Creative Commons

Apesar da Constituição pacifista, Japão justifica aquisição de vasto armamento por crescente presença militar chinesa na região.

O governo japonês aprovou nesta terça-feira (18) um plano de defesa quinquenal no valor recorde de 27 trilhões de ienes, que inclui a compra de mais de 100 caças e a transformação de dois antigos navios militares em porta-aviões, algo inédito desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

A significativa aquisição de modernos armamentos militares é justificada por Tóquio como defesa necessária frente a crescente presença militar da China na região, diz Tóquio.

As medidas são as mais expansionistas na área militar japonesa desde a Segunda Guerra Mundial. Ocupado pelos Estados Unidos depois do conflito em que foi derrotado, o país tem uma Constituição pacifista, limitada à possibilidade de autodefesa, e o primeiro-ministro Shinzo Abe tem testado os limites dessa Carta.

O país deve comprar 105 caças F-35, fabricados nos EUA, ao custo estimado de US$ 10 bilhões, que aumentarão a frota japonesa para 147 F-35s. Destes, até 42 devem ser da versão F-35B, que permite decolagens em pistas curtas e pousos verticais.

Esses caças são compatíveis com dois navios contratorpedeiros Izumo, inicialmente previstos para acomodar helicópteros e que serão modificados para pousos e decolagens de aviões.

Porta-helicópteros Izumo DDH-183 e DDH-184 serão transformados em porta-aviões | Foto: Creative Commons

Um funcionário do Ministério da Defesa ressaltou que, apesar disso, estes não serão porta-aviões com todas as capacidades desse tipo de navio de guerra, isso porque as embarcações serão pequenas, não acomodarão aeronaves de reconhecimento e os caças não permanecerão estacionados nos navios.

Ainda assim, as medidas devem ser polêmicas, isso porque, teoricamente, dariam ao Japão a capacidade para empreender ataques muito além de suas fronteiras. A equipe do primeiro-ministro Abe afirma considerar necessário que o país tenha recursos militares mais significativos, levando em consideração a ameaça “muito preocupante” que representa a ampliação das atividades marítimas e aéreas da China e da Coreia do Norte.

Segundo Tóquio, “China está tentando mudanças unilaterais ao status quo, baseada em suas próprias afirmações que são inconsistentes com a ordem internacional existente (…) Isto é uma séria preocupação com a segurança nacional para a região (…) e precisamos vigiar [a China] com um alto grau de atenção”.

Os pedidos de armamentos estadunidenses, se confirmados, devem ajudar o país nas negociações comerciais com os Estados Unidos. Desde setembro, sob pressão de Donald Trump, o país aceitou entrar em negociações para um acordo comercial bilateral, o que contraria um posicionamento antigo do premiê Shinzo Abe, que tradicionalmente prefere uma abordagem multilateral.

Por outro lado, Trump pressiona Abe para uma maior importação de bens norte-americanos, o que ocorre ao mesmo tempo em que Washington ameaça com novas tarifas sobre automóveis para reduzir o atual déficit comercial com Tóquio.

O plano de defesa quinquenal, que também inclui medidas de segurança cibernética e vigilância espacial, conta com um orçamento de pelo menos 27 trilhões de ienes (equivalente a R$ 940 bilhões ou US$ 240 bilhões) a serem gastos entre abril de 2019 e março de 2024, o que representa o maior orçamento de defesa da história do Japão.

Mundo-Nipo
Fontes: Sputnik News | Nikkei | O Globo.