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Premiê japonês nomeia outra “mulher” para cargo de ministra da Justiça

Os escândalos envolvendo as renúncias de duas ministras não abalaram o desejo de Abe em promover a liderança feminina.

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Do Mundo-Nipo com Agência Kyodo

Em um grande golpe para a política alardeada do primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, em promover as mulheres à cargos de liderança, duas das cinco ministras que ele nomeou para seu recém-renovado gabinete apresentaram oficialmente suas renúncias aos cargos devido à escândalos envolvendo supostos uso ilegal de fundos. O premiê, que aceitou em caráter oficial as duas renuncias emitidas nesta segunda-feira (20), já apontou substitutos para as pastas, que incluiu outra mulher na liderança do Ministério da Justiça.

 

Yoko Kamikawa e Yoichi Miyazawa (Foto: Kyodo)

Yoko Kamikawa e Yoichi Miyazawa sãos os novos ministros da Justiça e da Economia, respectivamente (Fotos: Kyodo)

 

A renúncia de Yuko Obuchi, que assumiu o Ministério da Economia, Comércio e Indústria no começo de setembro, e no que representou a nomeação mais destacada na primeira remodelação do Gabinete de Governo realizada por Abe desde que chegou ao poder em dezembro de 2012, aconteceu em um momento de desgaste na popularidade do primeiro-ministro.

Yuko Obuchi pede desculpas no final de uma conferência de imprensa em 20-10-2014, ao apresentar a sua renúncia do cargo de ministra da Justiça (Foto: Kyodo)

Yuko Obuchi pediu desculpas no final de uma conferência de imprensa nesta segunda-feira, quando apresentou oficialmente sua renúncia do cargo de ministra da Justiça (Foto: Kyodo)

Na semana passada, a imprensa japonesa revelou a contabilidade de uma organização política vinculada a Obuchi, mostrando o suposto uso ilegal de fundos para financiar a presença em peças de teatro de seus partidários, assim como para cobrir as despesas pessoais da ministra.

Obuchi já havia falado com Abe sobre sua intenção de renunciar no sábado passado, quando as críticas contra da oposição e da imprensa se intensificaram, embora somente agora ela apresentou formalmente sua renúncia.

O uso irregular de fundos estatais atribuídos a sua organização política aconteceu entre 2010 e 2011, quando Obuchi era parlamentar, e chegaria a 26,4 milhões de ienes. Se for confirmado que os fundos políticos foram usados com tal fim, se trataria de um descumprimento da legislação, que proíbe expressamente os presentes ou convites a eleitores de um distrito eleitoral.
A oposição também denunciou outras supostas despesas ilícitas, entre elas uma viagem da própria ministra em 2012 que não aparece nas contas de sua organização ou a compra de produtos para bebê e de roupa para uma empresa vinculada à família de Obuchi, no valor de 3,6 milhões de ienes.

Ao ser perguntada a respeito em um pronunciamento no Parlamento na sexta-feira passada, a ministra se mostrou disposta a assumir sua responsabilidade ao afirmar que “o desconhecimento (do desvio de fundos) não serve como desculpa”.

Midori Matsushima foi questionada no Parlamento sobre os leques eleitorais (Foto: Kyodo)

Midori Matsushima foi questionada no Parlamento sobre os leques eleitorais (Foto: Kyodo)

Enquanto isso, a ministra da Justiça Midori Matsushima também apresentou sua renúncia nesta segunda-feira, após críticas pela distribuição de leques com sua imagem e textos legais em um festival realizado em seu colégio eleitoral, em Tóquio. Partidos de oposição alegam que o ato “constitui em uma “doação” e fere a lei de eleição de cargos públicos.

No parlamento, Midori Matsushima disse que sua imagem e o texto de algumas leis selecionadas impressos nos materiais tinham como intuito oferecer uma referência aos eleitores, e o que “o ato não representa uma doação”.

Na última sexta-feira, um representante do Partido Democrata, principal sigla de oposição, apresentou uma denúncia criminal contra Matsushima junto à promotoria de Tóquio por possível violação da lei eleitoral. A denúncia principal envolve a distribuição de panfletos durante a campanha eleitoral, supostamente financiados com fundos estatais entre 2012 e 2014. Caso a promotoria aceite a denúncia, Matsushima estará sujeita a investigação.

Nesta segunda-feira (20), durante uma conferência de imprensa, Matsushima reiterou sua postura de que “não transgrediu nenhuma lei”, e declarou que decidiu renunciar para evitar que a questão afete ainda mais as discussões no parlamento e os trabalhos do ministério.

A saída das duas ministras do governo por escândalos desta magnitude é um duro golpe para Abe, que apostou na renovação de sua equipe e dar mais protagonismo político às mulheres, para o que nomeou cinco novas ministras na última remodelação do dia 3 de setembro, embora as outras três liderando pastas de menor relevância.

Yuko Obuchi, filha do antigo primeiro-ministro Keizo Obuchi, se tornou com 40 anos a mais jovem do Governo e o rosto mais representativo da estratégia “womenomics” do primeiro-ministro conservador.

O sucessor de Obuchi será Yoichi Miyazawa, parlamentar da Câmara Alta que vinha servido previamente como ministro de Estado da repartição do gabinete.

Para substituir Midori Matsushima, o premiê japonês apontou Yoko Kamikawa como nova ministra da Justiça. A indicação de outra mulher para o cargo é um sinal de que os escândalos não conseguiram abalar a determinação de Abe em promover o “empoderamento feminino” no país.

 


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