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Japão ordena inspeção em fábricas da Mitsubishi após fraude em testes

A Mitsubishi admitiu ontem que manipulou testes de eficiência no consumo de combustível em quatro modelos de seus miniveículos.

O Ministério dos Transportes do Japão ordenou, nesta quinta-feira (21),  a vistoria de um dos principais centros de produção da fabricante japonesa Mitsubishi Motors, situado em Okazaki, na região central do Japão. As investigações decorrem um dia após a montadora admitir que manipulou dados sobre eficiência energética de seus miniveículos, os chamados “kei cars”, um caso que afeta cerca de 625 mil automóveis desse tipo vendidos no país.

Segundo informações da ‘BBC News’ e da emissora pública japonesa ‘NHK,’ o governo japonês exigiu à empresa um relatório sobre a manipulação dos dados, que terá de ser entregue ao Ministério dos Transportes até à próxima semana, no máximo até o dia 27 de abril. O caso abrange também outras empresas do setor, das quais o governo pede documentações sobre os métodos utilizados nos testes de eficiência.

O ministro chefe de gabinete do governo japonês, Yoshihide Suga, disse que o governo está atento à questão. “Vamos lidar com este caso de forma rigorosa e queremos assegurar a segurança dos carros”, declarou.

Manipulação de eficiência de veículos
A Mitsubishi descobriu que os dados eram equivocados após realizar uma pesquisa interna, cujos resultados foram transferidos às autoridades japonesas, anunciou ontem o presidente da companhia, Tetsuro Aikawa, na entrevista coletiva realizada na sede do Ministério de Transporte, Infraestrutura e Turismo, em Tóquio.

“Seguiremos investigando o que aconteceu e quem são os responsáveis”, afirmou Aikawa, que também anunciou que a companhia solicitou a formação de uma comissão de investigação independente.

A manipulação dos testes ocorreu por meio de uma modificação da pressão de ar aplicada aos pneus, o que influenciou os dados sobre o consumo de combustível divulgados às autoridades japonesas sobre quatro modelos de miniveículos (que possuem motores inferiores a 660 centímetros cúbicos) comercializados no Japão. Desta forma, os quatro modelos aparentaram ser mais eficientes no consumo de combustíveis.

A manipulação afeta 625 mil veículos: 157 mil unidades dos modelos ek Wagon e ek Space produzidos pela Mitsubishi desde 2013, e outras 468 mil unidades do Dayz e do Dayz Roox, que são produzidos pela Mitsubishi e comercializados pela Nissan.

As investigações conduzidas pelo governo e o relatório que será fornecido pela empresa vão permitir conhecer a real dimensão destas falsificações, bem como decorreram as alterações nos testes.

Em menos de um ano, este é mais um escândalo que ameaça manchar a imagem de todo o setor no mundo. Ainda em novembro, a Volkswagen foi acusada de uma fraude de proporções ainda maiores. Na época, a gigante alemã admitiu a implementação de um software em 11 milhões de veículos a diesel para alterar os dados dos testes das emissões de gases poluentes.

Prejuízos
Um dia depois de deflagrar o escândalo, a Mitsubishi sentiu os danos na Bolsa de Tóquio. Na quarta-feira, as ações da empresa despencavam mais de 15%. Nesta quinta-feira, com a entrada em cena do Executivo Japonês as perdas ultrapassaram os 20% durante a sessão.

Além dos prejuízos registrados no mercado acionário, os danos com a imagem da marca deterioraram em vista que ainda se recuperava de outras falhas no passado.

Ouvidos pela Reuters e pela Bloomberg, vários analistas afirmam que este caso é “vergonhoso” e coloca em cheque a própria sobrevivência da marca, que ainda recentemente precisou de dois resgates financeiros por parte de outras empresas do grupo Mitsubishi.

As dificuldades econômicas registradas há pouco mais de uma década começaram a surgir precisamente após outro escândalo no início dos anos de 2000. Na época, foram constatadas falhas “fatais” nos freios, embreagens e tanques de combustível.

O impacto destas revelações, dizem os especialistas, é ainda incerto. Entre o pagamento de multas ao governo japonês, de indenizações aos clientes afetados e o pagamento de compensações à Nissan, o prejuízo certamente será muito elevado. Akira Kishimoto, da JP Morgan, estima que o prejuízo supere a marca dos 313,8 milhões de euros.

“Não é a primeira vez que a Mitsubishi enfrenta este tipo de problema. Definitivamente, este caso não os vai ajudar reconstruir a reputação”, reiterou Seiji Sugiura, analista da Tokai Tokyo Research Center, em declarações à Bloomberg.

Os modelos adulterados pela Mitsubishi, os chamados minicarros’, são muito populares no mercado japonês graças ao baixo custo de manutenção, à eficiência no consumo de combustível e seu tamanho reduzido, além de terem incentivos fiscais.

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