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Shinzo Abe vence eleições parlamentares no Japão

Câmara Alta do Japão | Foto: Kyodo/YouTube

Apesar da vitória, o premiê japonês não conseguiu obter a maioria de dois terços necessária para sua meta de alterar o Artigo 9 da Constituição.

Os partidos de coalizão liderados pelo primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, foram os mais votados nas eleições para a Câmara Alta do Parlamento  do país, equivalente ao Senado. Porém, apesar da vitória, a coalizão de Abe não conseguiu obter a maioria de dois terços necessária para alterar a Constituição, um de seus principais objetivos na votação.

Os resultados oficiais não devem ser divulgados até segunda-feira, mas a emissora pública NHK informou que a coalizão conservadora de Abe conquistou a maioria dos assentos na Câmara Alta do Parlamento.

A vitória significa que, caso permaneça no gabinete até novembro deste ano, Abe se tornará o mais longevo primeiro-ministro da História do Japão.

Abe assumiu como chefe de Estado em dezembro de 2012, com a promessa de aquecer a economia e reforçar a defesa nacional. Antes disso, servira como primeiro-ministro por um ano, em um mandato que terminou abruptamente em 2007.

O país enfrenta diversos problemas, incluindo o rápido envelhecimento da população, tensões com vizinhos da Ásia, rápidas mudanças no setor tecnológico e industrial e negociações comerciais imprevisíveis com os Estados Unidos.

De acordo com as estimativas, a coligação formada pelo Partido Liberal Democrata, comandado por Abe, e pelo seu aliado Komeito obteve ao menos 69 dos 124 assentos colocados em disputa neste domingo, de uma Câmara de 245 assentos. Nove cadeiras ainda permanecem em disputa.

 Apesar de manter a maioria na casa, o premier dependia da eleição de 85 parlamentares para obter o equivalente a dois terços dos assentos e ter poder para alterar a Constituição pacifista do país, em vigor desde que os então ocupantes americanos a criaram em 1947.

Mudar a Carta seria imensamente simbólico, concretizando a mudança, já andamento, do pacifismo vigente no pós-guerra. No texto do Artigo 9 da Constituição japonesa, proíbe literalmente a manutenção de um Exército nacional, ou seja, Japão não pode em hipótese alguma participar de guerra externa.

O Japão, apesar disso, tem Forças Armadas, que chama de forças de autodefesa. Em 2014, o governo de Abe aprovou uma reinterpretação do Artigo 9, que permite ao Exército defender aliados, caso estes sejam atacados.

Sem a maioria de dois terços, Abe provavelmente tentará atrair parlamentares da oposição para apoiar a sua proposta de consagrar as Forças Armadas na Constituição, mas isso pode ser difícil.

Há ainda uma eleição para a Câmara Baixa, onde o partido do premier atualmente já tem dois terços, entre agora e 2021. Abe manifestou o desejo de atrair opositores.

“É claro que não podemos considerar as coisas como certas, mas, de algum modo, eu gostaria de alcançar [a reforma constitucional], afirmou Abe à TV.

O comparecimento foi de menos de 50%, o mais baixo em uma votação para uma Câmara Alta desde 1995 e o segundo mais baixo até hoje, em um sinal de descrença por parte dos eleitores.

Pesquisas mostram que os eleitores estão divididos em relação à mudança da Carta Magma. Opositores manifestam a preocupação de que isso aumente o risco do Japão se envolver em conflitos liderados pelos EUA.

Abe já levou seu partido à vitória em cinco eleições nacionais desde 2012, ajudado em parte por uma oposição fragmentada e pela baixa participação dos eleitores. A maior força de oposição, O Partido Democrático Constitucional do Japão, deve aumentar seus assentos, mas ainda de modo inexpressivo, diante da força do governo.

Em 2007, o premier foi forçado a renunciar após só um ano no gabinete, depois de seu partido sofrer uma derrota humilhante em uma eleição parlamentar.

Com informações da Kyodo e de O Globo.