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Mesmo preso, Ghosn é mantido na presidência da Renault

Carlos Ghosn | Foto: Arquivo/Auto Plus

A Renault nomeou dois executivos para o “comando provisório” da companhia enquanto Ghosn estiver preso.

O grupo francês Renault decidiu manter o brasileiro Carlos Ghosn como presidente da empresa e nomeou, nesta terça-feira, dois executivos para assumirem provisoriamente o comando da companhia. Isso porque Ghosn está “temporariamente impedido” de assumir o seu cargo porque foi preso no Japão por evasão fiscal e uso de dinheiro da Aliança Renault-Nissan para fins pessoais.

Reunido em caráter de urgência, o conselho de administração do conglomerado decidiu que o conselheiro Philippe Lagayette assuma de forma interina as suas reuniões e que o até agora diretor-geral adjunto Thierry Bolloré fique com as principais responsabilidades executivas de Ghosn.

“Ghosn, temporariamente impedido, continua a ser presidente diretor-geral”, informou o conselho em comunicado.

O conselho lembrou que as medidas adotadas são “provisórias” e têm o objetivo de “preservar os interesses do grupo e garantir a continuidade das suas atividades operacionais”.

Os administradores da Renault pediram à Nissan que, com base nos “princípios de transparência, confiança e respeito mútuo da Aliança, lhe transmita o conjunto de informações em sua posse dentro das investigações internas das quais Ghosn é objeto”.

Enquanto o horizonte judicial de Ghosn não se define, o conselho “se reunirá regularmente” sob a presidência de Lagayette para assegurar a continuidade da aliança com Nissan e Mitsubishi, algo que tinha sido colocado em dúvida por causa da explosão do escândalo.

“O conselho compartilha o apoio dado pela direção da Nissan ao desenvolvimento da aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, que continua sendo a prioridade do grupo”, afirma a nota.

A solução adotada pela Renault é parecida com a pedida hoje pelo ministro da Economia da França, Bruno Le Maire, que disse que Ghosn “não está em posição” de continuar à frente do grupo, mas que ainda não pode ser cassado por ter direito à presunção de inocência.

Salário de Ghosn na Renault
Em 2016, acionistas da Renault, que até então tinha uma visão puramente consultiva sobre a remuneração do CEO Carlos Ghosn, aprovaram um salário de 7,06 milhões de euros (cerca de 32,9 milhões de reais) para o executivo brasileiro. Desde então, essa média tem sido mantida. Porém, o valor foi reduzido em 2,6% em relação ao ano anterior.

Ghosn ainda recebe salários como diretor-executivo da Nissan e como CEO da aliança Renault-Nissan-Mitsubishi.

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Fontes: Agência EFE | Portal francês Auto Plus.