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Japão cogita aceitar formato de negociações dos EUA sobre tarifas

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Montadoras japonesas perderão metade de seus lucros se Trump continuar com sua anunciada tarifa de 25%.

O Japão está cada vez mais inclinado a aceitar o formato bilateral preferencial do governo de Donald Trump para discutir tarifas, visto que o país asiático acredita que as negociações comerciais de mão dupla são uma estratégia melhor para manter Washington sob controle em relação aos impostos adicionais sobre automóveis japoneses.

O representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, e o ministro da Economia, Comércio e Indústria do Japão, Toshimitsu Motegi, abrirão negociações comerciais “livres, justas e recíprocas” (chamadas de FFR, nas iniciais em inglês) na segunda-feira (24) em Nova York. O presidente Donald Trump e o primeiro-ministro Shinzo Abe devem se reunir por lá dois dias depois para discutir as tarifas e concluir um memorando de entendimento sobre o caminho a seguir.

A prioridade do Japão é impedir que a guerra comercial chegue às suas costas. Os EUA, a China e o Japão são as três maiores economias do mundo. A economia global seria seriamente prejudicada se Tóquio fosse arrastada para um conflito comercial de estilo chinês com Washington.

A importância das negociações comerciais entre o Japão e os EUA se estende além da economia. A discórdia entre os dois aliados afetaria a situação de segurança no leste da Ásia, começando pela Coreia do Norte.

Aparentemente, Tóquio encontrou um meio domesticamente palatável de levar Washington à sua oferta de negociações tarifárias bilaterais. Até agora, Abe explicou aos legisladores que as negociações atuais do FFR não são negociações sobre um acordo de livre comércio nem discussões preliminares em torno de um. Isso dificulta enquadrar as negociações tarifárias bilaterais como sendo um acordo de livre comércio dos EUA com o Japão. A lógica emergente do governo japonês é posicionar as conversações bilaterais como o caminho para os EUA retornarem à Parceria Transpacífico (TPP).

Tóquio está modelando sua estratégia às recentes negociações comerciais da União Europeia com os EUA. Washington concordou, no fim de julho, em suspender as tarifas sobre automóveis, poupando Bruxelas das taxas americanas. O acordo pode ser considerado um caso de negociações bilaterais que facilitam as conversações comerciais.

Seguindo o exemplo da UE, o Japão comporá com Motegi e Lighthizer os detalhes em primeiro lugar. A agenda provavelmente incluirá tarifas sobre itens como produtos agrícolas, barreiras não-tarifárias para automóveis e preços de medicamentos. Espera-se também que as regras de propriedade intelectual sejam discutidas.

Congelamento de tarifas
A entrada em negociações de tarifas será pré-condicionada ao congelamento adicional das tarifas sobre automóveis dos EUA. As montadoras japonesas vão perder metade de seus lucros se Trump continuar com sua anunciada tarifa de 25%. Muitos no governo japonês acreditam que uma reunião só acontecerá se Washington se comprometer a arquivar a tarifa.

Com Valor Online