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Governo japonês enfrenta novo escândalo envolvendo ministros

Dessa vez, o recém-nomeado ministro da economia está envolvido com uso ilegal de dinheiro de campanha em um “bar de sadomasoquismo”.

Do Mundo-Nipo com Agências

O novo ministro da Economia, Comércio e Indústria do Japão, nomeado esta semana para substituir a antecessora que renunciou devido a um escândalo financeiro, admitiu nesta quinta-feira (23) que um grupo de apoio político usou dinheiro de sua campanha para entretenimento em um “bar de sadomasoquismo” em Hiroshima, no oeste do país.

 

Yoichi Miyazawa (Foto: Kyodo)

Embora tenha admitido o uso indevido do dinheiro, Miyazawa se defendeu afirmando que não participou do “entretenimento” (Foto: Kyodo)

 

Yoichi Miyazawa, de 64 anos, afirmou à repórteres que no dia 6 de setembro o grupo gastou 18,230 mil ienes no “bar” em questão, que foi anotando como “gasto de entretenimento”. “É verdade que tais despesas foram feitas”, admitiu Miyazawa, mas se defendeu afirmando que não participou do “entretenimento”.

Miyazawa, um político veterano e sobrinho de um ex-primeiro-ministro, foi escolhido pelo primeiro-ministro Shinzo Abe para comandar a importante pasta da Economia, logo após a renúncia de Yuko Obuchi no dia anterior.

O novo escândalo serviu de munição para que os partidos de oposição fizessem novos ataques dias depois da renúncia de duas ministras. Miyazawa, no entanto, afirmou que não pretende deixar o cargo.

A ex-ministra da Economia, Obuchi, de 40 anos, é filha de um ex-primeiro-ministro e era apontada como forte candidata a se tornar a primeira mulher a liderar o governo japonês. Ela apresentou sua renúncia depois de alegações de que seus grupos de apoio utilizaram indevidamente fundos políticos.

Na semana passada, a imprensa japonesa revelou a contabilidade de uma organização política vinculada a Obuchi, mostrando o suposto uso ilegal de fundos para financiar a presença em peças de teatro de seus partidários, assim como para cobrir as despesas pessoais da ministra.

A ministra da Justiça, Midori Matsushima, também renunciou após o oposicionista Partido Democrata ter apresentado uma queixa criminal, acusando-a de violar a lei eleitoral com a distribuição de leques com sua imagem e textos legais em um festival realizado em seu colégio eleitoral, em Tóquio. Partidos de oposição alegam que o ato “constitui em uma “doação” e fere a lei de eleição de cargos públicos.

Na última segunda-feira, Shinzo Abe assumiu a responsabilidade pela “queda das duas ministras. “Eu as nomeei e, como primeiro-ministro, tenho a responsabilidade”, disse Abe a repórteres em seu gabinete. “Peço minhas mais profundas desculpas à todos da nação”, acrescentou.

As renúncias acabaram por complicar decisões difíceis sobre algumas políticas em estudo, incluindo a possibilidade de o governo levar adiante um plano impopular para elevar o imposto sobre consumo em 2015 e a retomada das operações de alguns dos reatores nucleares do país, suspensas depois do desastre de Fukushima em 2011.

Abe, que esperava conter os danos substituindo rapidamente as duas, enfrenta agora mais críticas da oposição contra outros ministros potencialmente vulneráveis e que também foram nomeados em uma remodelação de gabinete no início de setembro. Outras renúncias podem levantar dúvidas sobre o próprio futuro de Abe, dizem alguns especialistas políticos.

As renúncias foram as primeiras de ministros no governo de Abe, que assumiu o cargo em dezembro de 2012, em um segundo mandato, prometendo reavivar a estagnada economia do Japão e fortalecer sua postura de segurança a fim de ficar à altura de desafios, como a China, que cresce cada vez mais.

(Com informações das agências Reuters e Kyodo)

 


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