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Japão executa últimos 6 condenados por ataque com gás sarin em Tóquio

Os últimos seis membros da seita Verdade Suprema condenados à morte foram executados hoje | Kyodo

O ataque em 1995 matou 13 pessoas, intoxicou 6,3 mil e deixou dezenas em estado vegetativo.

O governo do Japão executou nesta quinta-feira (26) os últimos seis membros da seita Verdade Suprema, condenados à pena de morte por serem responsáveis pelo atentado com gás sarin no metrô de Tóquio em 1995, o que resultou na morte de 13 pessoas e deixou mais de 6 mil intoxicados.

O líder da seita Aum Shinrikyo (“Verdade Suprema”, em japonês), Shoko Asahara, foi o primeiro dos 13 condenados à morte a serem executados, no último dia 5, juntamente com mais outros seis integrantes da seita que orquestraram e planejaram os crimes.

Os executados hoje foram Kenichi Hirose, de 54 anos, Masato Yokoyama, também de 54, Toru Toyoda, de 50, Yasuo Hayashi, de 60, Satoru Hashimoto, de 51, e Kazuaki Okazaki, de 57.

“Eu ordenei as execuções depois de dar uma cuidadosa e repetida consideração ao processo”, disse em coletiva de imprensa a ministra japonesa da Justiça, Yoko Kamikawa, após a execução, acrescentando que ela deu o aval para a execução de hoje na última terça-feira.

“O sofrimento das vítimas, das famílias enlutadas e daqueles que sobreviveram é inimaginável”, disse ela.

Os quatro primeiros participaram diretamente do atentado contra o metrô de Tóquio. Eles utilizaram os guarda-chuvas que carregavam para perfurar, na hora do rush, as bolsas com gás sarin que deixaram nos vagões de várias linhas no dia 20 de março de 1995.

O ataque matou 13 pessoas e deixou dezenas em estado vegetativo. Além disso, 6,3 mil foram intoxicadas por inalar o gás tóxico.

Satoru Hashimoto e Kauzaki Okazaki também foram condenados por assassinar em 1989 o advogado Tsutsumi Sakamoto, que preparava uma ação milionária contra a seita, a mulher dele e o filho do casal, que não tinha completado 1 ano de idade.

Ao lado de Yasuo Hayashi, Hashimoto também foi condenado pelo ataque com gás sarin, em 1994, em Matsumoto, na região central do Japão, que serviu como ensaio para o atentado de Tóquio.

Os seis membros da Verdade Suprema eram os últimos integrantes do grupo condenado a morte que ainda estavam vivos.

As condenações e os vários processos judiciais, porém, não conseguiram esclarecer vários mistérios da seita, que inclusive chegou a disputar as eleições gerais de 1990.

Em apenas uma década, o guru Asahara passou de instrutor de ioga a líder de uma organização capaz de captar jovens das elites intelectuais e econômicas do país, de sequestrar e assassinar críticos e opositores, e de fabricar armas automáticas e químicas.

O Verdade Suprema era um culto religioso violento de ideologia apocalíptica cujos ritos tinham viés religioso sincrético, misturando elementos do cristianismo, budismo e hinduísmo. Seus integrantes defendiam que os confrontos com o Estado japonês seriam o início do fim da atual civilização.

O Japão não costuma executar detentos até que todos os réus sejam julgados, o que aconteceu em janeiro deste ano. Em outros casos, os presos foram mantidos por anos no corredor da morte, e foram informados apenas horas antes do enforcamento.

Outros 190 membros da seita foram condenados a penas de prisão pelo atentado com gás no metrô em 1995, o pior já registrado no Japão desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

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Japão é um dos 57 países no mundo que mantêm a pena capital, incluindo Estados Unidos, China, Irã e Arábia Saudita. Desde 1977, a punição foi abolida em 141 países. Dos que a mantêm, 23 aplicaram a pena de morte nos últimos dois anos.

Entre os países industrializados, somente Japão e Estados Unidos aplicam a pena capital, que no Japão é feita por meio da forca.

A Anistia Internacional protestou contra a execução meses atrás, quando o grupo foi levado para fora da capital.

“O marco de uma sociedade civilizada é o reconhecimento dos direitos de cada indivíduo, até mesmo dos responsáveis por crimes hediondos”, disse o pesquisador da Anistia para o Leste Asiático, Hiroka Shoji. “A pena de morte nunca deve ser considerada justiça, já que é o ápice da negação dos direitos humanos”, declarou.

Ao ser questionado sobre a pena de morte na ONU, o governo japonês defendeu sua soberania para tomar decisões independentes:

“A maioria do povo japonês considera a pena de morte inevitável no caso de crimes extremamente hediondos e, portanto, o Japão atualmente não tem planos para estabelecer um fórum para discutir o sistema de pena de morte”, disse o governo em resposta formal.

De acordo com a Kyodo, a seita Verdade Suprema atraiu mais de 30.000 seguidores na Rússia, o que designou o grupo como uma organização terrorista em 2016. Um membro sênior foi preso na Rússia em maio passado por recrutar pessoas para a seita, indicando que ela ainda está fortemente ativa.

Do Mundo-Nipo
Fontes: EFE | Reuters | Kyodo.