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Sirene é acionada em Brumadinho por risco de rompimento de mais barragem

Estima-se que a lama percorra 200 km e chegue ao rio São Francisco | Foto: Reprodução/Andre Penner

Número de mortos está em quase 60, enquanto mais de 300 pessoas continuam desaparecidas no rompimento da barragem ocorrido há três dias em Brumadinho (MG).

Atualizado em 27/01/2019 – às 20h45 

Três dias após o rompimento da barragem da mineradora Vale em Brumadinho (MG), na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), onde dezenas de pessoas morreram e centenas ainda estão desaparecidas, ainda há risco de rompimento de mais uma barragem. A Vale acionou a sirene por volta das 5h30 deste domingo (27), alertando sobre risco de rompimento da barragem B6, após um aumento nos níveis de água. O alerta obrigou moradores das comunidades Córrego do Feijão e Tejuco a deixarem suas casas.

“A barragem não rompeu, mas os técnicos indicaram risco iminente de rompimento e acionaram a sirene de evacuação. Nós estamos com a tropa já mobilizada para essa evacuação”, afirmou o Coronel Ângelo, comandante de operações na região.

“Essa é uma barragem que contempla água. Desde ontem, está sendo feito um movimento de bombeamento dessa água para fora, para esvaziá-la e torná-la mais segura. Imediatamente, com a sirene acionada, o Corpo de Bombeiros está executando o evacuamento das comunidades que ficam nas imediações da barragem”, afirmou o tenente Pedro Aihara, porta-voz da corporação.

Agora, os trabalhos de resgate foram suspensos.  A equipe do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil está orientando a evacuação. Os moradores devem abandonar suas casas e procurar três pontos: a Igreja Matriz, no centro de Brumadinho, a delegacia e o Morro do Querosene.

Segundo o porta-voz do Corpo de Bombeiros, esses são locais considerados seguros, mesmo que haja rompimento da barragem. São quatro zonas de risco: Parque da Cachoeira, mais próxima à barragem B6, Pires, Centro de Brumadinho  e Bairro Novo Progresso.

Os moradores estão sendo conduzidos para os pontos mais altos da cidade, previstos em um plano de emergência elaborado previamente. Em nota, a Vale afirma que o acionamento da sirene foi uma medida preventiva e que a empresa seguirá monitorando a situação na barragem B6.

Retomada das buscas por desaparecidos
No terceiro dia de buscas, bombeiros e Defesa Civil informaram que retomariam o trabalho na parte da tarde, já que um segundo ônibus soterrado foi localizado perto da área administrativa da Vale, segundo o portal de notícias ‘G1’

Vítimas
No início da manhã deste domingo, o número de mortos confirmados no desastre do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, da Vale, totalizava 37.

Conforme informações do governo de Minas Gerais, do total de mortos, até o momento, apenas oito foram identificados. Segundo a revista ‘Veja’, 296 pessoas continuam desaparecidas, das quais 166 são funcionários da mineradora e 130 são trabalhadores terceirizados.

Foram resgatadas com vida 366 pessoas (221 funcionárias da Vale e 145 terceirizadas). Outras 23 pessoas estão hospitalizadas.

Atualização
O portal ‘G1‘ noticiou que o balanço divulgado no começo da noite deste domingo apontava ainda 305 desaparecidos, entre moradores e funcionários da Vale. Já o número de mortos subiu para 58, segundo os bombeiros; entre eles, 19 foram identificados (veja lista no portal G1).

No sábado, os Bombeiros divulgaram lista de 183 nomes de pessoas que foram achadas vivas (veja lista no portal G1)

O tenente coronel Flávio Godinho, da Defesa Civil de Minas Gerais, disse em entrevista coletiva que o número de mortos deve aumentar, já que há mais corpos dentro do ônibus soterrado, mas a quantidade ainda não tinha sido confirmada.

Também neste domingo, o Governo de Minas suspendeu o recebimento de donativos, informando que o material já é suficiente para o socorro das pessoas afetadas.

Punições contra a Vale
A Vale já teve três bloqueios de recursos, de R$ 1 bilhão, R$ 5 bilhões e R$ 5 bilhões e recebeu multas no total de R$ 350 milhões. Enquanto isso, as Polícias Federal e Civil abriram inquéritos sobre o rompimento.

Considerações do Governo Federal, Estadual e da ONU
O presidente Jair Bolsonaro, ministros, o governador Romeu Zema e a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, sobrevoaram a área e prometeram ações de investigação, punição e prevenção. Já a Organização das Nações Unidas (ONU) emitiu nota de pesar e ofereceu ajuda nos esforços de busca.

Danos ambientais
A Vale afirma que a lama vazada não é tóxica. Especialistas dizem, porém, que há danos ambientais graves, como a contaminação do solo e da água por minério fino, que fica na sobra dos rejeitos.

A comunidade local já tinha alertado os órgãos ambientais do estado para o risco da continuidade das operações na mina do Córrego do Feijão, que já estava esgotada e que poderia provocar um desastre ambiental de grande proporções.

Estima-se que a lama percorra 200 km de área e chegue ao rio São Francisco. Ela está descendo a Serra dos Dois Irmãos, que é rica em Mata Atlântica, deve cair no rio Paraopeba, que abastece um terço da região metropolitana de Belo Horizonte.

Mundo-Nipo
Fontes: Revista Veja | Portal G1.

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