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Grandes empresas estão investindo em onsens tradicionais do Japão

Foto: Ken Can Travel

Hotéis com águas termais no Japão estão entre as empresas mais antigas do mundo. Mas a falta de herdeiros tem levado os donos a vendê-las para estrangeiros.

Diante do crescente fluxo de turistas estrangeiros no Japão, um dos principais termos de pesquisa na internet é “onsen”, que é o nome japonês para designar as tradicionais casas de banho com águas termais no país asiático, onde viajantes têm mergulhado desde os tempos dos samurais. Agora, um dos negócios mais antigos do mundo está atraindo capital novo.

Fundos de investimento como o Fortress Investment, do SoftBank, e o Odyssey Capital, de Hong Kong, estão investindo bilhões para explorar a atratividade das pousadas tradicionais enquanto ocorre o ‘boom’ turístico no Japão em antecipação aos Jogos Olímpicos de Tóquio no próximo ano.

Os grandes fundos estão entrando nesse mercado em um momento em que as casas de banho centenárias – algumas com mais de mil anos – e com gestão familiar desde que foram fundadas, tentam encontrar sucessores num país que está envelhecendo a passos largos e onde as pequenas cidades e vilarejos se deparam com êxodo de jovens.

A Odyssey, juntamente com dois outros investidores, comprou no ano passado o seu primeiro onsen japonês, uma pousada com 28 quartos com piso de tatame perto do Mar do Japão, chamada Kagetsu, ou “Lua florida”.

Christopher Aiello, diretor-geral do braço imobiliário no Japão da Odysey, disse que a empresa planeja investir 500 milhões de dólares nos próximos três anos com a compra de cerca de 20 hotéis japoneses tradicionais, conhecidos como ryokan.

Onsen Minakami, em Tóquio | Foto: Divulgação
Onsen Minakami, em Tóquio | Foto: Divulgação

“O setor hoteleiro japonês tem enormes oportunidades de investimento”, disse Aiello em entrevista à agência Bloomberg.

“Muitos desses ryokan estão muito desvalorizados depois de muitos períodos de recessão e má gestão, mas muitos deles estão localizados em belos cenários naturais”.

Na Kagetsu, a neta do fundador, Tomoko Tomii, recebe os hóspedes na entrada de pedra da pousada com um delicado vestido rosa claro como um quimono.

Aos 40 anos, conta que a família decidiu vender o negócio à Odyssey no ano passado por causa de dívidas que só acumulavam, o que “impedia investimentos corporativos, tais como obras para modernizar os quartos e criar um site em inglês”.

Alvo de investimento

As fontes termais japonesas também se tornaram alvo do investimento de outras grandes empresas. A Breezbay Hotel, com sede em Yokohama, pretende comprar 100 alojamentos e pousadas onsen nos próximos cinco anos, segundo o presidente da empresa, Noritada Tsuda.

A Bain Capital tem comprado onsens desde 2015, quando investiu numa rede de 29 spas e resorts japoneses, incluindo uma unidade localizada em uma ilha artificial na Baía de Tóquio.

No mês passado, a empresa de investimentos com sede em Boston, nos Estados Unidos, inaugurou uma unidade com vista para o mar na zona rural de Mie, elevando o número dos seus ativos hoteleiros no Japão para 36 e com planos de comprar mais.

O Fortress, fundo com sede em Nova York que foi adquirido em 2017 pelo SoftBank por 3,3 bilhões de dólares, também aposta neste mercado. Em fevereiro, o fundo abriu um spa no centro de Osaka, do tamanho de dois quarteirões, onde turistas podem mergulhar em banheiras à beira de um tradicional jardim japonês, com um complexo de hotéis e centros comerciais ao lado e uma torre de 51 andares.

Thomas Pulley, diretor de investimentos para o setor imobiliário global do Fortress, viajou cinco vezes ao país durante a construção do resort para escolher pessoalmente as cerejeiras e banheiras de barro usados nos quartos privados ao ar livre. As banheiras custam cerca de 20 mil dólares cada.

*Matéria da Bloomberg / Tradução e edição do Mundo-Nipo.com (MN)