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Japão caminha para reativar mais dois reatores

Usina Kashiwazaki-Kariwa (Foto: Governo da cidade de Kashiwazaki)

Complexo atômico em Niigata se mostrou preparado para lidar com desastres naturais.

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Autoridades do setor nuclear do Japão deverão aprovar um relatório que efetivamente permitirá que a Companhia de Energia Elétrica de Tóquio (Tokyo Electric Power Company – na sigla Tepco) reinicie a operação de dois de seus reatores, cujas operações foram interrompidas após o acidente no complexo nuclear em Fukushima, em março de 2011, o que provocou o fechamento de todas as usinas nucleares no país a partir de setembro de 2013.

A Autoridade Reguladora Nuclear do Japão (ARN)  discutiu na última quarta-feira um esboço com explicações sobre sua avaliação de medidas de segurança para os reatores números 6 e 7da usina de energia nuclear Kashiwazaki-Kariwa, situada na província de Niigata, na região de Chubu, no centro do país.

O esboço do documento estima a oscilação máxima de um terremoto e a altura de tsunami que poderiam atingir a usina, concluindo que as medidas de segurança adotadas pela Tepco são suficientes para possibilitar que a usina enfrente tal situação.

O documento também afirma que as novas medidas para lidar com a ocorrência de um sério acidente atendem aos novos padrões governamentais de segurança, introduzidos depois de o acidente nuclear em março de 2011 na usina Fukushima Daiichi, também operada pela Tepco.

Esta é a primeira vez que os reguladores discutem um relatório sobre medidas de segurança para uma usina nuclear que usa o mesmo tipo de reatores da danificada usina em Fukushima. A aprovação do relatório é uma pré-condição para dar um reinício às suas operações.

Os reguladores vão continuar com as discussões na próxima semana e com grandes chances de reativação dos dois reatores.

Até pouco antes de sua paralisação, o complexo em Niigata estava listado como a maior usina nuclear do mundo, com 8,2 GW de potência instalada.

Entenda a crise nuclear no Japão
Todos os reatores operantes no Japão foram interrompidos por causa do acidente nuclear na usina Fukushima Daiichi, provocado pelo gigantesco tsunami gerado após o poderoso terremoto de 9 graus em 11 de março de 2011, que devastou parte do nordeste japonês.

O acidente em Fukushima provocou a pior crise nuclear mundial desde a ocorrida em Chernobyl, em 1986.

Depois da tragédia, Japão passou a adotar um sistema de segurança extremamente rígido. Para tanto, foi criado a Autoridade Reguladora Nuclear, em 2012. O órgão então estabeleceu no país as novas diretrizes de segurança, em julho de 2013.

O reator 1 em Sendai foi o primeiro a superar os novos requerimentos mais rígidos em matéria de segurança, sendo reativado em agosto de 2015.

O Japão tinha 54 reatores operacionais antes da destruição de seis unidades da central de Fukushima. Dos 48 restantes, pelo menos cinco devem ser desmantelados.

O governo do primeiro-ministro Shinzo Abe e as companhias elétricas do país têm defendido a reativação de usinas que cumpram com os novos padrões de segurança por causa dos aumentos dos custos com a compra de hidrocarbonetos, necessários para o funcionamento das centrais térmicas que estão funcionando a pleno vapor.

Desde o blecaute das usinas, Japão passou a importar 90% de seu petróleo, bem como todo o carvão e gás natural, o que levou o país a sofrer um forte déficit na sua balança comercial. Os gostas com essa importação têm atrapalhado os planos de Abe para reaquecer a economia, bem como foram um dos principais obstáculos encontrados pelo Banco do Japão (BoJ, o banco central japonês) para tingir sua meta de inflação estável de 2% ao ano

Com a retomada do programa de energia nuclear, o governo de Abe deseja que os reatores gerem 22% da energia elétrica no Japão até 2030, um porcentual menor que antes de Fukushima.

No entanto, segundo indicam pesquisas, a maior parte da população é contrária a reativação dos reatores pelo temor de um novo acidente.

Fontes: Kyodo News | NHK World News.

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