A taxa média de desemprego no Japão permaneceu estável em 2,5% ao longo de 2025, repetindo o patamar registrado no ano anterior e confirmando a continuidade de um mercado de trabalho aquecido, mesmo diante dos efeitos persistentes da inflação.
Dados divulgados pelo Ministério de Assuntos Internos e Comunicações mostram que o país manteve, em média, 1,76 milhão de desempregados, número praticamente inalterado em relação a 2024. Ao mesmo tempo, o total de pessoas empregadas aumentou em 470 mil, alcançando 68,28 milhões, um novo recorde pelo segundo ano consecutivo.
Apesar do crescimento no emprego, a taxa de desemprego não caiu porque a força de trabalho japonesa também se expandiu significativamente. O número de pessoas economicamente ativas — incluindo trabalhadores e desempregados aptos e disponíveis para trabalhar — subiu pelo terceiro ano seguido, chegando a 70,04 milhões, o maior nível desde o início da série histórica, em 1953.
Segundo analistas citados pela Kyodo, esse movimento reflete tanto mudanças sociais quanto pressões econômicas. Para Shinichiro Kobayashi, economista-chefe da Mitsubishi UFJ Research and Consulting, o aumento da participação no mercado pode ter origens distintas.
De um lado, salários mais altos e condições de trabalho mais flexíveis têm incentivado mais pessoas a buscar emprego. Por outro, a elevação do custo de vida tem levado famílias a procurar rendimentos adicionais para compensar a alta dos preços.
Entre os desempregados, cerca de 220 mil pessoas foram dispensadas por empregadores, enquanto 750 mil deixaram seus empregos voluntariamente, geralmente em busca de melhores oportunidades. Já o número de pessoas que procuraram trabalho pela primeira vez ficou em 480 mil, sem variação em relação ao ano anterior.
No recorte mensal, o desemprego permaneceu em 2,6% em dezembro, repetindo o resultado de novembro.
Outros indicadores, no entanto, sugerem um cenário mais cauteloso nas contratações. A taxa média de disponibilidade de empregos em 2025 recuou para 1,22 vaga por candidato, segundo dados do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar, marcando o segundo ano consecutivo de deterioração.
Isso significa que havia 122 vagas disponíveis para cada 100 pessoas em busca de trabalho, número ainda considerado alto, mas em leve queda.
Autoridades atribuem essa retração à pressão dos custos de produção e às medidas adotadas por empresas para reduzir despesas com mão de obra após sucessivos aumentos do salário mínimo.
Por setor, as novas ofertas de emprego cresceram principalmente nas áreas de educação (+4,0%) e manufatura (+1,6%). Em contrapartida, houve queda expressiva em informação e comunicação (-10,5%) e no segmento de hotelaria e alimentação (-7,0%), refletindo ajustes em setores mais sensíveis à desaceleração econômica.
== Mundo-Nipo (MN)
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